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Com Cobras na Cabeça...


"Ele merecia..."

Resolvi dar um tempo... não sei se seria a frase certa, mas é a mais usada para este tipo de situação. Fiquei longe da internet... só consultava jornais, revistas e últimas notícias... MSN? Nem abria (já não sou muito adepto mesmo)... Queria um tempo para realmente provar um fato que todos falam: quando você quer alguma coisa e se dedica, pode ter certeza que você consegue...

 

Há alguns anos – mais precisamente dez anos – eu queria uma seção no meu local de trabalho. Não necessariamente pelo salário maior (o que é bom), mas nunca foi o meu objetivo principal. Queria provar que eu poderia... e explico: logo que eu entrei, alguns meses depois, algumas pessoas que entraram comigo estavam na sala de café. Eu estava na sala ao lado, vendo alguns papéis – e ninguém sabia que eu estava ali. De repente, começaram a falar sobre mim e escutei a grande frase: “Ele conseguir algo aqui dentro? Nunca... é mais fácil a gente se tornar padre...”. A frase foi seguida de muitas risadas... Hoje, o meu posto é o maior de todos eles... Espero que eles já tenham pelo menos lido a bíblia para iniciar a próxima profissão...

 

Foi muito difícil... vários obstáculos... Centenas de trabalhos realizados com precisão cirúrgica para ninguém encontrar nem um mínimo erro. Devido a esta dedicação, hoje eu consigo ver quando um quadrado está torto em uma folha, com diferença de um milímetro... E isso é resultado de esforço e estudo: Quando eu entrei, estava começando o cursinho para a Faculdade... passou o cursinho, a graduação, a pós graduação, vários cursos técnicos, dezenas de mini-cursos e, com certeza, mais de uma centena de palestras...

 

Fui construindo minha carreira ponto a ponto, com alguns erros e demonstrações de emoções explosivas. A imaturidade é o fator crucial para se construir uma carreira. Eu só comecei a planejar as coisas como eu queria, quando eu amadureci e consegui entender que os fatores não podem acontecer como eu “acho” que devem e sim conforme todos os “achos” que existem ao nosso redor. É difícil compreender que nós não somos o umbigo do mundo?!? Nossa... nem queira saber o quanto. Creio que é uma das maiores lições que aprendemos em vida.

 

Hoje, após minha promoção, recebi um email de uma amiga me dando parabéns... Ela presenciou vários momentos e tristezas minhas em relação ao meu trabalho e ela terminou com a velha frase: O mundo dá voltas... Mas, precisamos ter em mente que o mundo dá voltas sim... e se você não fizer nada para mudar seu curso ele continuará somente nesta ação: dando voltas e voltando ao mesmo lugar...

 

Estou feliz e realizado. Já recebi dezenas de olhares invejosos e ouvi alguns comentários maldosos... É muito ruim você estar com uma felicidade explosiva por um objetivo alcançado e não poder gritar aos quatros ventos que você conseguiu e todos se contagiarem com sua alegria... Infelizmente isto é impossível. Aliás, estou escondidinho na minha sala, quietinho... esperando a poeira abaixar. Mas, muito feliz mesmo – não me canso de dizer e escrever isto...

 

***

 

Enquanto minha promoção ainda estava incerta, veio um assessor e me entregou o documento que comprovava meu novo cargo. Quando vi aquele papel, meus olhos se encheram d’água imediatamente... Esperei dez anos... dez longos anos de trabalho, crescimento e dedicação por aquela assinatura... Um homem – que estava somente visitando o local – comentou, “Nossa, o que existe neste papel para gerar essa tamanha alegria?”... e o Assessor respondeu: “Algo que ele merecia...”

Sim, vale a pena...

 



Escrito por Medusa às 20h58
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A vida é uma arte...

Às vezes acontecem alguns fatos em nossa vida extremamente relevantes para nossa construção pessoal... A paixão da minha vida sempre trabalhou com enfermagem e fui acompanhar a visita para um possível cliente: um senhor de 72 anos que estava muito doente devido a várias complicações em sua saúde. Chegamos em sua casa e me encantei com a sua mulher: uma senhora de 68 anos que parece ter 40... Impressionante a vitalidade e a disposição daquela mulher... A comparação com seu marido na cama era inevitável, até devido aos poucos anos de diferença de idade. Ela, muito ativa, ainda joga vôlei e mantém uma alimentação saudável; ele, deitado na cama, mal conseguia respirar ou sentar em uma cadeira...

 

Analisando a situação, não conseguia parar de pensar em alguns pontos que já aconteceram comigo. Parei de fumar a alguns anos, mantenho a minha alimentação saudável, faço academia e não bebo (uma ou outra taça de vinho de vez em quando não conta), tudo isso por que sempre desejei chegar na minha velhice como àquela senhora... Conversei algum tempo com ela e, a cada momento, me encantava cada vez mais: pintora e formada em psicologia, ela esbanjava elegância e sabedoria. Um ser humano raro de se encontrar atualmente...

 

Quando conversamos sobre seu marido, ela – naturalmente – me disse algo que achei de uma profundidade imensa: “eu já aceitei que ele vai partir... infelizmente não posso fazer nada para mudar. Se me pedissem para fazer qualquer coisa hoje para ele melhorar, eu faria de todo coração... mas, não é possível... é triste, sim... realmente... mas, devemos aceitar a vida como ela é”. Essas palavras formaram uma das mais lindas declarações de amor que eu já escutei... Fiquei comovido pela grande sinceridade e dedicação que emanavam delas...

 

Fui em direção ao quarto e auxiliei em alguns procedimentos com o senhor. Decidiram leva-lo para o hospital para alguns exames e fomos vesti-lo... Ele estava fraco e não conseguia nem falar, mas o seu olhar era brilhante e forte. Suas filhas chegaram e ajudaram na resolução do problema e decidiram leva-lo no carro de uma delas. O acomodamos em uma cadeira e – com alguma força – levamos até o veículo. Pronto! Nossa parte estava concluída. Agora, teríamos que aguarda-lo voltar do hospital para iniciar os cuidados em sua casa.

 

Saindo, a senhora olhou para mim e disse: “Volte... vamos tomar um café e conversar sobre arte...” Adorei o convite, ainda mais feito por uma mulher que – sem conhece-la – já a admirava pelo o que ela representava para mim... Agora, toda vez que alguém perguntar porque eu me alimento somente com comidas integrais – já que são tão ruins -, não como muito doce – já que é a oitava maravilha do mundo - e muito menos bebo até cair ou fumo até não agüentar mais, vou responder apenas com um sorriso... e vou me lembrar da senhora, imaginado ela - com 68 anos - fazendo um grande saque em uma partida de vôlei...

 

****

 

Infelizmente, no final da tarde, chegou uma notícia triste: o senhor, após chegar ao hospital, faleceu... Como disse a senhora: “temos que aceitar a vida como ela é...” Mas, sei o quanto essa frase é difícil de entender... Mesmo assim, quero passar um dia para tomar uma xícara de café... não pelo café – evidentemente - mas pela grande pessoa que conheci... Uma lição que não esquecerei...



Escrito por Medusa às 19h07
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A força que vem da planta...

Eu tenho uma planta na minha sala onde eu trabalho... Ela sempre me impressionou. Já passou por diversas adversidades... Alguns anos atrás, quando eu estava viajando a trabalho – fiquei um mês fora – minha ex chefe colocou ela na parte externa da sala e nunca molhou. Quando eu retornei, tive uma grande decepção profissional – aquelas que todos nós já passamos – e fui recolher minhas coisas da sala. Fui pegar minha planta e quando a vi, estava extremamente seca e tinha apenas uma folha verde, com uma raiz intacta para fora... O resto – ela estava linda quando eu fui viajar – se perdeu... secou, virou nada.

 

Essa planta virou meu símbolo de renascimento. Cuidei dela como cuidei de mim para superar a decepção. Lembro que um dia até chorei junto com ela – tudo bem, se alguém visse me internaria em um hospício. Quando começou a nascer uma nova folha, para mim foi um sucesso... Uma alegria enorme me consumiu... até pulei de felicidade por meu símbolo contra a decepção não morrer. Troquei de vaso – comprei um lindo -, transplantei e coloquei muita terra com adubo. E passei a conversar com ela, principalmente quando era o dia de molha-la...

 

Contava tudo – fechado dentro da sala, claro -, enquanto derramava água. Ela começou a crescer de novo, mais e mais folhas surgiram e ela voltou a ser grande, verde e frondosa novamente. A coloquei em um lugar especial na sala, aonde todos que entrassem pudessem vê-la... Todos comentavam como ela estava linda e maravilhosa. Confesso que coloquei um pouco de pimenta vermelha atrás dela para evitar o olho gordo de tanto que algumas mulheres falavam: “nossa, que planta linda... as minhas todas secam...”; “Quero uma dessa pra mim hein? Posso leva-la como presente?”. Mas, mesmo assim, ela continuou lá, para todos verem como eu havia superado a minha decepção e estava novamente feliz com toda aquela força que emanava daquelas folhas verdes...

 

Era início de dezembro e ela estava verde e maravilhosa... cheias de galhos e folhas. De repente – não sabia o motivo – ela começou a murchar... Entrei em desespero! As folhas começaram a amarelar... Os galhos começaram a torcer e entrei em pânico. Ela não podia morrer, de maneira nenhuma. Toda vez que eu precisava de forças para superar algo, principalmente alguma “rasteira” que levava no trabalho, ela estava lá... pronta pra me mostrar que podemos vencer e “nascer” de novo.

 

Mas, ela estava morrendo... coloquei adubo, conversei mais com ela e nada... Não tive opção, a levei correndo para uma floricultura – um hospital de plantas – e conversei com uma senhora que lembrava minha avó. Disse que não poderia perde-la... que ela era muito importante pra mim. A senhora riu e foi até o balcão... pediu para colocar a planta em cima e, de dentro de uma gaveta, tirou uma tesoura. No mesmo instante, ela pegou um galho e cortou bem perto da terra, o que me fez entrar em pânico: “O que a senhora está fazendo???”; “As vezes, para nascer de novo, nós precisamos morrer... não se preocupe, ela vai voltar mais linda do que já estava.”

 

***

 

Algum tempo depois, daqueles pequenos tocos que sobraram dos galhos antigos, nasceram novos brotos... Em pouco tempo, minha planta estava mais linda e frondosa do que era. As folhas eram maiores e mais brilhantes... fiquei encantado e nunca mais esqueci o que aquela senhora me disse... Passo lá sempre para comprar flores e cumprimenta-la...  

Agora, toda vez que minha planta está murchando – perto do final do ano - sei que ela virá com mais força ainda... Sim, nossa maior força vem da dor... e é dela que tiramos os adubos necessários para voltar a nascer mais fortes e belos do que antes...

 

Foto: Arqui verde



Escrito por Medusa às 14h27
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Tudo por amor...

A melhor escola é a vida... e esta escola possui alguns livros com histórias inacreditáveis... Uma amiga minha estava com o casamento marcado. Alianças nos dedos e juramentos de amor sem fim. Quando soubre do noivado, fiquei muito feliz. Ela sempre foi o que consideramos "uma pessoa extrovertida e que aproveita muito a vida" - traduzindo: ela saia com muitos homens e bebia até não aguentar mais. Acreditei que desta vez ela teria um final feliz. Ontem, meu celular tocou e era ela, com a frase típica que antecede uma bomba: "você não sabe o que aconteceu...". Respondi que realmente não sabia, foi quando ela me relatou o fato: em uma bela noite de verão, enquanto ela secava os sedosos cabelos depois de um relaxante banho, seu celular tocou... seu perfeito noivo - um bem sucedido advogado, com grande porte masculino e elegância francesa - ligava dizendo que não iria vê-la naquela noite devido a discussões sobre um caso jurídico de uma firma que deveria ter com um outro colega advogado. Ela disse - com voz manhosa, segurando o celular com o ombro por estar secando o cabelo - que era realmente uma pena não poder dar um beijo apaixonado nele e que então dormiria mais cedo. Ele se despediu e ela também, com juras de amor eterno...

 

Só que, como eu disse, a vida é uma escola... e as vezes, ela ensina comédia, juntamente com tragédia... ela continuou com o celular no ombro - não podia soltar a franja já que estava escovando o cabelo - e ela escutou algo no celular: "Pronto, me livrei do empecilho...". Na hora, ela parou estática: seu noivo esqueceu de desligar o celular e como ela ficou esperando ele desligar, a ligação continuou: "Cara, é hoje...". Uma segunda voz masculina deu uma risada: "Ha ha ha... hoje eu tiro o atraso". Um barulho de moto ao fundo. Ela - ainda em transe - presumiu que estavam no trânsito, dentro do carro. "Cara, esse puteiro é ótimo... nem eu sabia que havia uma zona ali... quem diria que nessa rua - disse o nome - teria um inferninho tão bom como esse?"; "Pois é hoje que lavo a égua...". Risadas...

 

Minha amiga deixou a franja cair e lentamente pegou o celular e desligou... Pensou por alguns segundos, ainda olhando para frente e inerte. Na hora veio na cabeça todo o dinheiro que ela deu para seu noivo para ajudá-lo a construir sua carreira... E ele gastando em inferninhos... Sem esboçar nenhuma reação, ela levantou e abriu o armário... de dentro dele, ela tirou uma meia calça preta, uma blusa extremamente decotada e vermelha - a que ele odiava -, uma saia preta e um salto de dar inveja em qualquer Drag Queen. Se vestiu e sentou-se para fazer uma maquiagem extremamente carregada. Soltou os cabelos - já estavam prontos mesmo - e chamou um táxi. Ao entrar dentro do veículo, o taxista deu uma olhada para ela de cima até o seu grande salto - minha amiga é uma mulher muito bonita - ela perguntou: "O Sr. conhece o puteiro que fica na rua...?". Ele a olhou com aquele olhar malicioso e disse: "Sim, eu conheço."; "Então, pode seguir até lá..."

 

Chegando na casa, ela pediu para falar com o gerente. Ela “comprou” sua entrada e também pediu para ser tratada como uma “menina” da casa. Entrou discretamente e foi para o bar, se escondendo atrás de uma pilastra. De repente, lá estava ele, passando a mão em uma garota no bar. Seu sangue ferveu, mas ela manteve a classe. Afinal, era uma prostituta agora. Ela virou-se e ficou de costas para o noivo. Um homem veio falar com ela e ela começou a acaricia-lo, indo em direção ao seu alvo. De repente, ela virou-se novamente e ficou de frente para seu noivo. Quando ele a viu, ela fez uma cara de espanto total. Ele ficou branco e com a boca aberta. Imediatamente se levantou e foi atrás dela, a agarrando pelo braço: “O que você está fazendo aqui?”, falou aos berros. Ela, fingindo espanto e choro ao mesmo tempo, disse: “Amor... eu juro que eu não queria, mas eu não conseguia parar... você precisava de dinheiro e eu queria ajuda-lo... por favor, eu te amo...”

***

 

Sim, ela terminou o noivado... O noivo teve que ser colocado para fora da casa pelos seguranças, pois queria quebrar todo o lugar. E ela... bem, ela ainda fez questão que todos da firma onde ele trabalha soubessem que a namoradinha perfeita fazia programas para ajudar o noivo a pagar a faculdade... Pobre garota... o que teve que fazer por amor...



Escrito por Medusa às 08h04
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O Assalto...

As ironias da vida... Fui levar meu carro para lavar em um supermercado. Chegando lá, uma amiga me ligou e começou a contar sobre o trágico evento que aconteceu na sua vida na noite anterior. Ela estava em um bar com amigos, de repente escutou um tiro do lado de fora. Todo mundo foi para os fundos do bar, aos berros. Ela e uma amiga se agacharam e foram para debaixo da mesa. Homens entraram dentro do bar anunciando o assalto. Levaram o que tinha no caixa, juntamente com dinheiro e pertences dos clientes. O clima de terrorismo reinou, com direito a choro das mulheres e ordens dos assaltantes pedindo a colaboração de todos... naquele tom e educação que todos nós conhecemos. Ainda bem, ninguém se feriu e eles foram embora com tudo o que queriam. Minha amiga terminou de contar os detalhes e se despediu. Deixei o carro no Lava-car e fui tomar um café na padaria ao lado...

O café estava ótimo e o cheiro dos salgados fritos estava me deixando maluco. Por alguns segundos eu me vi pedindo doze coxinhas e vinte risoles de queijo... Iria comer todos de uma vez. Para resistir a tentação, terminei rapidamente meu café e fui para a fila do caixa pagar... Singelo e imaginando lindos pirilampos pairando pelo ar, eu estava absorto em meus pensamentos, quando de repente entram três homens armados na padaria gritando: "Muito bem pessoal, a gente só vai levar o dinheiro do caixa e algumas coisinhas de vocês. Não façam nada e não tentem nada que não estamos de brincadeira". Meu corpo instantaneamente gelou e minha espinha endureceu. Não conseguia me mover. Quando vi aqueles revólveres, os dedos das minhas mãos ficaram retos e começaram a formigar... Não conseguia nem respirar direito. Começaram a passar em minha mente imagens de pessoas sendo baleadas - sem nenhum motivo - em casos semelhantes.

Levaram todo o dinheiro dos dois caixas, alguns relógios e celulares das pessoas que estavam na fila. Por sorte, passaram por mim. Quando o homem que estava pegando o dinheiro do caixa falou: "Do que você está rindo palhaço?". Nem virei minha cabeça para ver o que era... provavelmente estava falando com alguém que estava mais atrás de mim. Mas, o que o assaltante fez em seguida me deixou petrificado. Ele gritou: "Quer um motivo para rir? Então vou atirar no bonitão aqui pra você dar risada..." E apontou a arma para mim. Não sei explicar o que eu senti. Já, há muitos anos, senti a mesma sensação quando estava no ponto de ônibus e um cara levou meu walkman... mas, desta vez foi pior ainda. Para minha sorte, o assaltante virou-se e continuou a pegar o dinheiro. Fiquei mais petrificado ainda... Foram alguns minutos que pareciam horas...

Depois que pegaram tudo o que queriam, um dos homens pegou uma sacola e pediu para uma das atendentes: "Enche de pão de queijo minha linda...". Provavelmente assaltar dá fome... Saíram dizendo: "Não queremos que ninguém saia daqui até a gente se mandar, senão já sabem: é bala na cabeça." Continuei uma estátua. Depois que eles saíram, o silêncio continuou... uma das meninas do caixa começou a falar: "Aperta o botão José." Provavelmente o alarme para a polícia. Mas, com certeza não adiantaria nada. Até os guardas chegarem, eles estariam longe... Saí com as pernas moles... Tudo bem, estava vivo e ainda não paguei o café (deveria ter comido todos os salgados para não pagar também...). Adoro aventuras urbanas...

***

Liguei para minha amiga e disse: "Pode ganhar na mega-sena amanhã... Depois me ligue e me conte, para acontecer o mesmo comigo..."

 

Pão de queijo... O preferido dos Assaltantes... Foto: Euro Africa



Escrito por Medusa às 23h14
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Ano Novo...

Ano Novo... para alguns, vida nova... para outros, continuar o mesmo caminho de sempre... Para mim, o início do ano sempre foi cheio de tarefas: retirar todas as contas pagas do ano anterior do fichário e deixá-lo sem nada para as próximas que vem; folhear toda a agenda e passar compromissos importantes para a nova (quem não gosta de uma agenda nova?), principalmente os aniversários, pois sempre esqueço; limpar gavetas e colocar todas aquelas porcarias que a gente pensa que um dia irá utilizar; fazer uma vistoria no guarda-roupa: roupas velhas para doar e deixar espaço para roupas novas; e, principalmente, fazer planos (quem não faz?) para o ano que inicia...

Mas, a parte mais importante para mim nos primeiros dias do ano é a "faxina social" que faço. Pego celular, agenda, MSN, Orkut... tudo que possui pessoas com quem me relaciono e começo a ver uma por uma... se continua fazendo parte e é importante para minha vida, passo seu aniversário para a agenda nova, seu número de telefone continua no meu celular, seu contato no MSN permanece intacto e seu perfil do Orkut continua no meu... Chega um momento na vida que precisamos renovar nosso círculo de relacionamentos... E, depois que se faz uma vez, devemos fazer sempre... Se não é mais importante - se já passou na sua vida - tenha coragem de excluir e deixar espaço na "memória" para novos contatos que irão surgir. Cuidar das pessoas que estão ao seu redor é uma questão de saúde mental.

E aqui vale alguns exemplos para você também analisar se ficam ou não: aquelas pessoas nas quais você só deu alguns beijos e nada mais; e - porque não? - aquelas outras que foram apenas sexo e você não quer novamente pelo fato do sexo não ter sido bom... ou também porque foi ótimo e você não quer repetir para não estragar a experiência anterior; aquela amiga invejosa que você sabe que é uma megera com energia negra disfarçada e você tem medo de magoar; sabe aquela pessoa que você conhece, pega o telefone e diz: "Te ligo..." mas nunca liga porque não vai ter importância na sua vida? Essa também...; Contatos no MSN como: gato_manhoso, safadinha-taradinha, menina_pilulito, safadoquer, machotesudo, amiga_quer_ser_feliz, sou-você-amanhã, cris12345_89... que você nem imagina mais quem sejam... delete! Abra espaço para o novo; e nem preciso comentar sobre ex-namoros... tchau!

Alguns devem ficar: contatos profissionais SEMPRE... você nunca sabe quando uma ótima oportunidade vai surgir; aquele amigo que toda vez que encontra você, abre um grande sorriso e pergunta como você está antes de "despejar" tudo o que está acontecendo com ele; pessoas alegres, extrovertidas e, principalmente, felizes - quanto mais pessoas felizes ao seu redor, melhor; amigos de muitos anos... esses sempre! Eles são sua conexão com o seu passado; pessoas conhecidas - ou amigos - que estão em outros países... uma conversa com alguém que está em outro "mundo" sempre é muito importante para atualização de nossa cultura; e, claro, aquela pessoa que pode se tornar - quem sabe? - um grande amor...

***

Passei meu Ano Novo na praia... água nos pés... areia nos calcanhares... os fogos estourando no céu... todas as pessoas se abraçando, com grandes sorrisos e desejando um grande ano para todos... Não pulei minhas sete ondas, mas tenho certeza que meu ano será promissor...

Feliz 2009... Foto: Internet



Escrito por Medusa às 19h38
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Medo... de quê?

Você já sentiu algum medo? Qualquer um? Medo de escuro quando era criança ou simplesmente medo de algum inseto? Não? Então, creio que você não é humano... Algumas pessoas quando estão juntas, sentem uma proteção enorme e complexa que exprime nosso sentimento de segurança e força perante as dificuldades do mundo e parece que nada no mundo pode nos atingir... Ou você já viu algum filho com medo quando está nos braços da mãe? Algum apaixonado com medo quando está ao lado da pessoa amada? Nunca...

Medo... de filme de terror (ficção) ... ou do terror (realidade) que algum episódio da vida oferece... Você sempre terá duas opções: se entregar a sensação de desespero ou levantar a cabeça para enfrentar a situação que, ao seus olhos, pode ser devastadora para sua caminhada... Não existe força mais excitante que a luta para vencer um medo. Ela acontece de forma sublime... e a coragem que emana dela é fabulosa...

O medo mais fantástico que pode ser vencido é o medo de viver... Lembro da cena de um filme que me fez chorar: a mãe deixando o filho, quase cego devido a uma doença, se bater entre as paredes - chorando - para ele conseguir vencer seu medo de conviver com uma deficiência. Depois de se machucar entre as paredes, ele levanta e consegue andar pela casa sozinho... É assim que deve ser? Devemos lutar em algumas vezes sozinhos ou com alguém ao nosso lado? 

Analisando os períodos da humanidade, chegaremos a conclusão que muitos fizeram coisas magníficas devido ao medo... a superação desse sentimento levou pessoas a realizarem feitos magníficos... Grandes nomes da história mundial devem tudo o que fizeram devido a sua grande luta - vencida - contra algum medo grandioso que assolou suas vidas... Exemplos? Nelson Mandela seria o grande homem que é se fosse intimidado pelo medo de seus opositores? Edith Piaf mergulharia nossos pensamentos com sua voz espetacular se não vencesse o medo de sua frágil saúde? Ou - um exemplo mais singular - uma mãe conseguiria levantar um guarda-roupa (que seria necessário três homens para erguer) se seu filho não estivesse embaixo gritando com medo de morrer? Creio que não...

Para superar um grande medo, a grande arma é um objetivo para realizar... sem esta arma, não existe porque vencer... ele se tornará algo sem propósito, então a força necessária não fluirá. Deve-se ter objetivos: alguma coisa pra construir, alguém para educar, pessoas para amar... senão, o medo continuará assolando sua mente de forma contínua e desnecessária... Quer viver? Lute contra seus medos... garanto que a recompensa que a vida lhe dará em troca será algo que realmente vale todo o esforço...

"Sem saber que era impossível (venceu seu medo) foi lá e fez..."



Escrito por Medusa às 20h05
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30 anos...

Chegou afinal... estou com trinta anos! Acordei no dia do meu aniversário e tudo estava lá: o céu da mesma cor, o sol brilhando - sem nenhuma sombra de outra cor, senão o amarelo -, o Eugênio estava morrendo de fome esperando o café da manhã, minha pele não estava soltando nenhuma gosma e meu cabelo estava todo grudado na cabeça... tudo igual, mas... havia algo diferente!

As mensagens no celular começaram cedo... sem falar que meia noite e um há havia recebido quatro. Enquanto estava tomando café, a primeira ligação... minha irmã me desejando parabéns. Cheguei na academia e minhas amigas já desceram a escada correndo feito umas loucas com presentes na mão... e, infelizmente - creio que para irritar porque elas sabem que eu não gosto - me cantaram parabéns... inclusive, foi colocada a música nas caixas de som de toda a academia. Muito bem... é o preço... mas algo estava estranho.

"E aí meu velho... conta pra mim como é chegar aos 30..." Somente dei uma pequena risada... Eles não entenderiam mesmo... só quem já passou consegue entender... Mais presentes, cartões, apertos de mãos. É um dia maravilhoso aonde as pessoas demonstram carinho - mesmo sendo totalmente falso... Não consegui treinar direito, o celular não parava um minuto e eu não queria deixar ninguém sem resposta, por educação. Ligaram: ex-namoros, amigos que não falava há muito tempo, colegas de trabalho... até a veterinária do Fred - meu cachorro - mandou mensagem... e eu continuava com aquele pensamento de algo anormal...

Bem, passei no trabalho - somente para colocar algumas coisas em ordem - e mais "parabéns, felicidades..." e a pergunta: "Quantos anos está fazendo?" era feita a todo momento... Cansei de responder: "30 anos..." e receber de volta a manjada indagação: "Ah, meus 30 anos... como foram bons... como eu queria voltar no tempo...".  Tudo bem... estava totalmente tranqüilo para aceitar as nostalgias das pessoas. Aliás, isso me faz pensar que continuo praticamente um adolescente... Ganhei muitos presentes para casa - já que estou morando sozinho. Eu achei fantástico, já que minha cozinha não tinha praticamente nada... Sai carregado de sacolas e fui andar pela cidade... algo havia mudado.

Andei, pensei e refleti muito... Não marquei nada com ninguém e fiquei sozinho até o final do dia... Caminhei mais um pouco, tomei um caldo de cana maravilhoso e sentei no meio de uma praça. Sim, algo estava diferente e consegui enxergar o que era: depois de tanto esperar e querer que algo acontecesse, eu, sutilmente, mudei. Eu sinto isso! E, a partir daquele momento quero que todos os meus dias sejam uma grande oportunidade para eu ser feliz e realizar algo... Alguma coisa que me faça crescer e ter a oportunidade de provar que mereço estar aqui...

Sim, trinta anos... três décadas de vida. Muitos erros, vários acertos... Não me arrependo de absolutamente nada, pois tenho a certeza que se não tivesse feito, tentado ou errado, não seria quem eu sou hoje... Confesso que chorei... E foram lágrimas puras e sinceras. Tudo o que tenho hoje foi conquistado com uma luta corajosa e de caráter. Sou um reflexo das minhas conquistas e derrotas... e não me envergonho de nada, pois acredito fielmente que deixei alguma marcas por onde eu passei e alguns sorrisos que ajudei a expressar... A melhor lição nesses trinta anos? Bem... o difícil não é chegar lá em cima... e sim, deixar de subir!

  Foto: Calienteia



Escrito por Medusa às 21h57
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Eu confesso...

Se a questão é confessar: já me encantei com coisas sem sentido e dei valor a quem não merecia; Já sonhei em ser astronauta e, ao mesmo tempo, queria ser médico infectologista, porque era apaixonado pelos vírus e bactérias...; idolatrava quem era o mais popular do colégio, até me tornar um deles e ver que não tinha graça nenhuma...

 

Conheci diversas pessoas na minha vida, mas sei que muitas não gostaram de mim, outras me amaram e outras, literalmente, me odiaram; creio que algumas vezes fui infiel, mas fui intensamente fiel a quem eu amei; sempre dediquei o maior valor a uma amizade, pois sei que, na vida, relacionamentos vão e vem, colegas também... mas amigos ficam...

 

Não sei nada de futebol, mas acho incrível o amor que as pessoas tem por isso; realizei metas fantásticas, como me frustrei com muitas delas; adoro um elogio e confesso que fico irritado com uma crítica, mas tenho a virtude de parar e pensar e, se for verdade, mudo meu comportamento; já tive muito medo da morte e fiquei até noites sem dormir por isso... hoje a morte para mim é apenas mais um estágio a ser cumprido...

 

A minha educação literalmente depende da outra pessoa; sou um ser humano de troca, se recebo, também dou; detesto frescuras, amo objetividade; sou fascinado por pessoas de atitudes e que surpreendem; tenho pavor abominável de palhaço; sempre detestei circo pelo o que eles fazem com os animais e, evidentemente, pelos palhaços; não gosto que me cantem parabéns; antes, não chorava porque achava sinal de fraqueza... hoje, uma das coisas que sempre faço é chorar...  dentro da minha casa, ou no carro... quando dá vontade...

 

Sei preparar uma pipoca doce deliciosa, mas já escondi a panela quando queimei tudo, para não lavar; comigo sempre é os extremos: eu gosto ou não gosto, não admito meio termo; amo vermelho sangue... uma cor fascinante; não gosto de amarelo... deixa as pessoas pálidas; gosto de uma boa fofoca, mas já sofri muito por causa dela quando eu fui o centro; sou uma pessoa de personalidade forte, mas creio que amadureci muito esses anos...

 

Aprendi que, em uma discussão, devemos começar a falar primeiro de nós, depois do outro; não consigo dormir antes da meia noite; acordo e fico sempre mais quinze minutos na cama; já menti e já mentiram pra mim... hoje não faço mais isso e abomino quem faça comigo; odeio traição... de qualquer forma; amo de paixão sorvete de chocolate; adoro cereja; já fiz pré-conceitos de pessoas... hoje primeiramente conheço, para depois formular minha opinião...

 

Todos dizem que meu olhar é instigante e muitos não conseguem me olhar nos olhos; já fiquei vários momentos em frente ao espelho, mas não consegui ver o que as pessoas falam de mim; tenho defeitos sim, admito todos... como luto para também enxergarem minhas qualidades; já decepcionei muitos... como muitas vezes me senti decepcionado; aprendi que a máxima do universo é a lei do retorno; Não troco de opinião até alguém me dar bons motivos para muda-la... senão, levo meus conceitos até o final...

 

Já senti solidão no meio de dezenas de pessoas como já me realizei plenamente estando sozinho; honro minha palavra... se eu prometo, é porque cumprirei; já senti inveja, ódio e rancor... ainda bem... percebi nesses momentos que sou humano; não consigo viver sozinho... e meu sonho ainda é amar plenamente... e hoje não me incomodo com o que os outros fazem... eu faço a minha parte;          

 



Escrito por Medusa às 00h38
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MEU ANIVERSÁRIO...

Escrito por Medusa às 23h44
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A mão que guia...

Amanhã é meu aniversário... passei a semana inteira fazendo brincadeiras, dizendo que faltavam poucos dias para eu ficar velho. Infelizmente, falamos coisas realmente sem pensar... Estava conversando com uma amiga e comentando que a vida estava passando e o devido valor ao tempo não fluía de mim. Evidentemente que gosto muito mais de mim hoje do que há dez anos atrás... Hoje estou com o corpo que eu quero, estabilizado financeiramente e concluindo os estudos que eu queria... Já realizei alguns sonhos, faltam outros... Não posso reclamar de absolutamente nada. Sem comentar a minha excelente saúde... “Nós só damos o devido valor as coisas quando perdemos...”

 

Hoje, chegando ao meu trabalho, vi uma cena muito triste: passo sempre pelo portão de atendimento ao público – todos os dias lotado se sacolas – e uma velhinha muito humilde, com as roupas velhas e o cabelo todo branco, falava rodando nos calcanhares: “eu não sei aonde estou, não conheço esse lugar...”. Fui em direção a ela e vi que era cega de um dos olhos... Larguei todas as sacolas no chão e segurei sua mão. Ela me olhou como se eu fosse um ser superior e em seu olho vi sua felicidade por encontrar alguém para ampara-la. De repente, vi uma mulher – também muito humilde – vindo em nossa direção apressada, falando: “Tata, por aqui Tata...” A mulher a pegou pelo braço e eu soltei sua mão... Mas, recebi um grande sorriso de agradecimento...

 

Fiquei impressionado com aquela senhora... passei a tarde pensando na cena... E se ela não tivesse ninguém para guia-la? Às vezes, a vida nos oferece as repostas para tudo e nós que teimamos em não aceita-las. Quantas horas eu perdi pensando que estava chegando aos trinta anos sem rumo ou caminho na vida traçado? Quantas coisas eu poderia ter feito a mais do que fiz até hoje? Será que fiz algumas escolhas de maneira correta? Ou poderia estar melhor se eu tivesse seguido com outras opções? E a pergunta mais importante: Para que eu gostaria de saber as respostas de todas essas perguntas? Com certeza não ajudaria a minha vida a ficar melhor...

 

Como a velhinha de hoje, muitas vezes eu me senti sem rumo e cego dos dois olhos em algumas situações na minha vida. Queria gritar... as lágrimas não saiam... mas, agüentei e continuei os passos. A verdade suprema que “o tempo cura tudo” não é verdade... Ainda sinto essas lágrimas que não derramaram presas em meus olhos... O tempo não as secou... Ele somente apazigua os pontos... E infelizmente tudo continua guardado para explodir nos momentos certos.

 

É nesses momentos que sonhamos com a mão amiga; a mão familiar; a do ser que dedicamos amor... em todos os momentos que minha mão é solicitada, ela está pronta pra servir. Ontem, eram quase cinco horas da manha quando meu celular tocou. Atendi meio dormindo e era um amigo - chorando. Tinha sido assaltado e estava sem nada para voltar pra casa. Roubaram tudo: carteira, celular, bolsa... tudo. Eu estava com uma gripe horrenda mas, levantei, coloquei dezenas de blusas e me enrolei em um edredom... e lá fui eu atrás dele. Cheguei e aquele olhar de agradecimento e segurança inundaram meus olhos...

 

***

 

Quando eu chegar na idade dos cabelos brancos como algodão e – se acontecer - estiver totalmente perdido, a única coisa que vou querer é uma mão para me guiar e não mais tudo pelo o que eu lutei a vida inteira...

 

 Mãos unidas... Foto: Internet



Escrito por Medusa às 22h55
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Morte... última lição???

Algum tempo atrás, li um título em uma capa de revista que me chamou a atenção: MORRER: A última lição... Refleti muito sobre isso e conclui que não deve ser a última lição e sim, a primeira. Quando uma mulher chega para seu marido e diz: “Estou grávida...” se tem à certeza de apenas uma coisa: algum dia aquele ser que acabou de ser concebido irá morrer. É a única coisa que sabemos sobre ele e nada mais... Como vai ser seu futuro, sua carreira, se casará ou terá filhos,... nada se sabe... apenas a certeza de sua morte. Isso é ruim? Não, de forma alguma. Não somos nada mais que apenas uma ínfima parte do complexo da vida. Depois da fórmula básica instituída pela Mãe Natureza (nascer, crescer, se reproduzir e morrer) desde o princípio, sabemos que depois que nossos descendentes nascem, nossa finalidade para ela acabou. Tanto é verdade que depois que deixamos de ser fértil, envelhecemos... o preparo para a morte. Não temos mais utilidade para a Mãe Natureza, cumprimos nosso papel... e somos descartados para os próximos seguirem o mesmo destino. Isso é cruel? Depende do ponto de vista.

 

Imagina o tédio de se viver eternamente... seria insuportável. Nada teria fim... O conceito de vida seria mudado. Não teríamos propósitos, não seríamos plenos; A sensação de “dever cumprido” não existiria; Nossos laços de família seriam perdidos... como se controlaria todos os netos, dos netos, dos netos dos seus netos? Impossível!; Lutar por um objetivo? Imagino a resposta: “Para quê? Tenho toda a eternidade para conseguir...”; A solidariedade entre as pessoas (que, convenhamos, hoje em dia quase não existe) seria extinta. Para que ajudar? Não vai morrer mesmo...; Isso sem comentar que o mundo seria inabitável... Hoje, a população do mundo consome muito mais do que o planeta consegue produzir... Você já imaginou se ninguém morresse? Se não existisse a morte? Estaríamos em um verdadeiro pesadelo... Aonde todo mundo moraria? O que comeria? A vida seria dolorosa...

 

O assunto retornou a meus pensamentos pois um amigo perdeu o pai em um acidente de carro recentemente. Nessas horas sabemos o quanto é difícil o sentimento de perda. Tentar entender o verbo “perder” em quesitos materiais já é complicado, imagina em relação a pessoas... ainda mais sendo os sagrados pai e mãe. Tentei conforta-lo como achei prudente. Sei que nessas horas o que queremos é sumir e não conseguimos controlar o sentimento de raiva e desespero... é muito mais forte que qualquer princípio, de qualquer natureza... Por mais que sabemos que é o inevitável, ainda não admitimos que é o ciclo natural da vida.

 

Na mesma semana, o meu peixe beta – o Barney – que já estava comigo há algum tempo morreu. Minha irmã estava cuidando dele enquanto eu estava viajando. Realmente tive a certeza que a grande maioria das pessoas não sabem como lidar com a morte pelas palavras dela no telefone: “Vem aqui buscar o Barney porque ele morreu e eu nem quero ver aquele aquário perto de mim...” Conversei e tentei explicar algumas coisas, até que a convenci a enterrá-lo sozinha... Uma lição de vida... inclusive quem ajudou no sepultamento foi meu cachorro, o Fred... que era irmão do Barney... não de espécie, mas de coração.

 

Depois de uma vida inteira de luta e perseverança, creio que o ser humano mereceria ter uma morte digna, como a avó de um amigo meu: Ela falou para os filhos que estava com vontade de ir para a praia com todos eles e os netos. Tanto falou que convenceu a todos a passar um final de semana na casa de praia. Durante o sábado, falou e brincou muito, ainda mais do que o suportável pelas suas limitações devido a idade. No domingo, ficou na praia com os netos fazendo castelo de areia e pulando na água... Meu amigo disse que não esquece o sol refletindo naqueles cabelos brancos como o algodão... No final da tarde, disse que queria ficar um pouco sozinha para descansar, em sua cadeira de balanço, olhando o mar. Depois de um tempo, pensaram que ela estava dormindo. Sim... o corpo estava dormindo, mas a alma que, naquele momento o havia deixado, estava muito viva...

 

***

 

Ganhei um novo peixe beta... o Eugênio! Olhando de perto, é a cara do Barney – acho que são parentes distantes... Jamais ele irá substituir o Barney... mas, fiquei feliz em ter um novo companheiro...

Igual ao Barney... foto: Planeta Pet



Escrito por Medusa às 13h39
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A volta

Voltei para minha cidade... Creio que uma das melhores coisas quando viajamos é poder voltar para casa, nossa cama (principalmente), nossa xícara de café... É incrível como tudo fica infinitamente mais valorizado quando não estamos perto. Sentia falta de tudo, mas ao mesmo tempo já estava com saudades da cidade provisória... dos amigos que fiz, dos sorvetes (saindo da dieta) que tomei, das caminhadas do parque (e dos “queridos quatis”) e, claro, daquela magnífica, estupenda e gloriosa noite estrelada... Aquilo para mim era um sonho: olhar para o céu e não ver nenhum pedacinho sem estrelas...

 

É engraçado como nós seres humanos somos vaidosos... quando viajamos, pensamos que na nossa volta todos estarão como zumbis catatônicos por estarem sedentos de saudades; que o mundo praticamente parou por não estarmos no nosso lugar; que absolutamente ninguém teve um momento feliz sem nossa presença... observei isso em minha amiga. Ela estava em um êxtase quântico por voltar, comentando que todos estavam loucos com o seu regresso. Um pequeno engano...

 

Essa lição eu aprendi com o meu dermatologista: fui ao seu consultório e ele foi, como sempre, extremamente educado e profissional. Agradeci e disse a seguinte frase: “o Sr. é muito bom... não sei o que faria com essas espinhas sem o Sr.” Resposta: “Procuraria outro dermatologista.” Dei uma risada e disse: “Claro que não, o Sr. é ótimo.” Não sei se foi devido a triste música clássica que tocava naquele momento no consultório ou se algum outro motivo o deixou daquele estado mas – depois de um pequeno suspiro – a reposta foi incisiva: “Se eu morresse hoje, seria simples: na próxima vez que você ligasse pra marcar uma consulta, minha secretária o avisaria do ocorrido. Você ficaria um pouco triste, quem sabe, acharia uma tragédia, mas depois procuraria um novo dermatologista. Assim como todos meus pacientes... as pessoas lembrariam de mim na primeira semana, um pouco menos na segunda e, passado algum tempo, esqueceriam... Eu ficaria somente na lembrança de alguns familiares... É o caminho natural da vida...”

 

Sai do consultório pesando 3.952 toneladas. Fiquei indignado. Pensei em nunca mais voltar a vê-lo novamente. Depois de algum tempo, refleti muito sobre suas palavras. E percebi que ele estava correto em tudo o que disse. Em uma reposta, veio uma das grandes lições que aprendi na vida. Não somos insubstituíveis... Como uma professora me disse uma vez – quando eu queria ser sempre o melhor aluno da sala e chorei por ter tirado 9.8 na prova que valia 10 – “Sempre haverá alguém melhor ou alguém pior que você...”. Fazemos PARTE do conjunto e não SOMOS ele.

 

Claro que existem pessoas que nos querem bem e nos desejam sempre por perto, mas a vida não para se não estamos mais nela. Como eu sempre comento – o que virou um dos meus bordões – “o sol vai nascer, as flores vão desabrochar, os pássaros irão cantar e – graças a Deus – os shoppings irão abrir...”. Somos únicos sim, em nossa maneira de pensar, agir e – simplesmente – ser, mas não somos o “umbigo do mundo”... se é que existe um.

 

Voltando ao médico, retornei a seguinte consulta com uma lembrança... ele me perguntou o motivo e eu respondi, incisivo como ele foi; “Para o Sr. saber que – enquanto está aqui – faz diferença...” Ele sorriu e me atendeu muito bem – como sempre – ao som de uma maravilhosa música clássica.

 

***

 

Como eu comentei, uma das melhores coisas é voltar... para casa, para os amigos, para si mesmo... principalmente por alguns fatos: minha amiga me recebeu com um buquê de girassóis, gritando “Tenho um monteeeee de coisas para te contar...” É... como é bom voltar...

 Tudo continua girando... inclusive o girassol... Foto: Api



Escrito por Medusa às 13h50
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Surpreenda você mesmo...

O que está acontecendo com as pessoas ultimamente é muito triste... O problema do “Igual” está assolando a todos. Sim, igual... sempre fazendo a mesma coisa na vida. Todos os dias elas se levantam, comem, trabalham, falam... sempre igual, da mesma forma, do mesmo jeito. Hoje, para alguém te surpreender é difícil. Você escuta as mesmas reclamações, as mesmas metas “a serem concretizadas”, maldades sobre as mesmas pessoas... Isso me deixa consternado.

 

Sou uma pessoa que gosta de quebrar paradigmas: troco sempre o caminho que faço para ir ao trabalho ou voltar para casa; a cada ano, mudo de academia – afinal é duas horas do meu dia que passo dentro dela; quase toda semana tento conhecer um lugar novo: um bar, um café... e uma vez por mês vou jantar em um restaurante que nunca fui (adequado ao meu orçamento); conheço pessoas novas, nem que seja o vendedor, quando vou a uma loja comprar algo; não uso sempre o mesmo estilo de roupas, mudo sempre meu guarda-roupa; mas, principalmente, tento amadurecer como pessoa, rever meus conceitos, avaliar meus erros e crescer como ser humano... senão, por qual motivo estamos aqui?

 

Mas, mesmo fazendo essas pequenas coisas, ainda creio que faço pouco. Admiro a coragem do homem que “vendeu” toda a sua vida na internet (casa, carro, móveis... até o cachorro), entrou em um aeroporto e comprou uma passagem para o primeiro país que viu... uma atitude surpreendente. Perguntaram o porquê desta atitude a ele. A resposta foi rápida e básica: “Estava enjoado da minha vida...” Você comenta isso com as pessoas e conseguimos coletar dezenas de “comentários desculpas”, como eu chamo. Exemplos: “Ele fez isso porque não deve ter família... filhos para criar.”; “Com certeza tem dinheiro... ninguém faz algo deste tipo se não for rico.”; “Duvido se ele já não está arrependido do que fez...”; “O que as pessoas não fazem para chamar a atenção.”; Ele está arrependido? Possui família? É rico?... Não sei, mas ele saiu do comum... e surpreendeu.

 

Evidentemente que não estou afirmando que toda pessoa deve fazer algo deste nível... mas, cada um pode mudar, pelo menos, aquilo que não faz bem ou sair da “mesmice” do dia-a-dia. Mas um exemplo? Estamos chegando no fim do ano... todos começam a se preparar para as festas. Natal é com a família (sempre igual: mesmas perguntas, brigas, etc...) e Ano Novo é para viajar com amigos... Comecei a perguntar para algumas pessoas para onde irão no Reveillon... todas, sem exceção, vão para o mesmo lugar que sempre foram. Fico pensando: como não enjoam??? O mundo é enorme e maravilhoso, com lugares paradisíacos prontos para serem visitados. “É muito caro...”. Por favor, essa desculpa não convence. Se você procurar bem, existem viagens que podem ser mais baratas e infinitamente mais excitantes que as de sempre...

 

Como é excitante ver as pessoas provarem que podem ser muito mais do que são. Mostrar, de uma maneira sublime, que fazem diferença e que não estão aqui somente para olhar o mundo e sim vivê-lo, não deixando planos futuros para o futuro. Não esqueça que ele – o futuro – é feito de uma somatória de fatores realizados no presente. “Não tenho tempo de ir para a academia... vou deixar para quando ficar mais velho...”. Muito bem, mas se você não cuidar do seu corpo (postura, ossos, músculos...), alimentação e mente, você não terá saúde para praticar exercícios. “Ahhh... na velhice realizarei meu sonho de ir para a Europa”. Hum... você já está investindo dinheiro para isso? Você já sabe – ao menos – o básico de inglês para poder aproveitar a cultura local?... Se você não procurar realizar sonhos, saindo do fator comum, infelizmente você será somente mais um...

 

***

 

“Se você não procurar realizar sonhos, saindo do fator comum, infelizmente você será somente mais um...”. Hummm... Rimou! Novo slogan de qualquer campanha que algum dia eu possa realizar....

Seja diferente... Foto: Europanet



Escrito por Medusa às 16h54
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Vergonha na cidade provisória 3... nunca mais retorno aqui...

Eu prometo: nunca mais apareço nesta cidade... Eu estava no último andar e, para minha “sorte”, o elevador quebrou. Depois da análise mecânica, o problema era uma peça que demoraria vinte dias para chegar. Bom, subir todas as escadas ficou cansativo, mas gostei do meu quarto, a vista era muito bonita e não havia incômodo de vizinhos no andar.

Um dia, chegando no hotel, o gerente me perguntou se eu não gostaria de trocar de quarto – já que minha estadia seria grande – para não ter o incômodo de subir vários degraus todos os dias. Respondi que não havia necessidade, mas ele insistiu dizendo que o apartamento 202 era maior e sem o barulho do trânsito da rua, já que ficava do outro lado do prédio, e ele iria deixar pelo mesmo valor do outro. Bem, não fui mal educado: peguei a chave e fui dar uma olhada no 202.

Realmente, o apartamento era muito maior e mais aconchegante. A vista não era grande coisa – prédios próximos ocultavam parte da visão – mas, tudo bem. O banheiro era muito melhor e a cama mais fofa. Até desconfiei, pensando que era algum plano ou intenções escusas do gerente, mas depois confirmei que era somente uma gentileza mesmo. Voltei e disse a ele que aceitava e mudaria de quarto. Durante meu jantar, eles levaram todas minhas malas e pertences, arrumando tudo no seu devido lugar.

Cheguei no meu quarto novo e estava tudo ótimo. Assisti um filme muito bom na televisão e adormeci... Acordei um pouco mais tarde – não fui para a academia – queria ficar um pouco mais na cama fazendo algo que amo: assistindo desenhos... Não me lembro à última vez que fiz isso. Havia esquecido como eu adoro. Espreguicei-me docemente, levantei e abri a enorme janela... Ai, que delícia essas manhãs primaveris, aonde o doce aroma das flores invadem nosso olfato sem pedir licença... Sim, eu acordei meigo!

Liguei meu notebook e evidentemente coloquei músicas dances maravilhosas – aquelas que denunciam nossa idade – em um volume considerável. Sei que neste horário da manhã, quase ninguém está no hotel, então aproveitei. Minhas preferidas: Whitney Houston, Donna Summer e Cher. Comecei a tirar a roupa: camiseta para um lado, short para o outro tudo ao som de “...Oh! Wanna dance with somebody, I wanna feel the heat with somebody, Yeah! Wanna dance with somebody, With somebody who loves me…” e cantando junto com minha maravilhosa Whitney.

Sem roupa, fui direto ao chuveiro… Com o som no último volume. Sai do banheiro, todo ensaboado, para cantar e me olhar no grande espelho que tem no quarto, fazendo do shampoo meu microfone – quem nunca fez isso? Eu adoro! Terminei meu banho e continuei minhas performances. Jogava a toalha para cima, enquanto me enxugava, fazendo movimentos iguais a um toureiro... sem falar que eu girava nos calcanhares feito um pião... queria ver alguma mulata de grupo de samba ganhar de mim no rebolado...

A música acabou e eu me virei – de braços abertos - para receber os aplausos da platéia invisível... De repente, fiquei em transe... percebi que a platéia não era tão invisível assim: no prédio de frente para a janela, três moças debruçadas na grade da varanda, olhavam para mim estáticas... Corri e fechei, com uma única e rápida puxada, a cortina da janela. Não acreditei... Abri uma fresta e as vi morrendo de rir. Uma gritava alguma coisa que eu não entendi... Fiquei morrendo de medo: será que alguma delas filmou para colocar na internet??? Imagino o título: “O retorno da enlouquecida Whitney e sua toalha demoníaca...”

***

Nota mental: Preciso voltar urgentemente para meu antigo quarto, porque senão vou morrer de calor, pois vou lacrar a janela...

 Minha maravilhosa Whitney... Foto: Internet



Escrito por Medusa às 14h16
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