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A vida é uma arte...
Às vezes acontecem alguns fatos em nossa vida extremamente relevantes para nossa construção pessoal... A paixão da minha vida sempre trabalhou com enfermagem e fui acompanhar a visita para um possível cliente: um senhor de 72 anos que estava muito doente devido a várias complicações em sua saúde. Chegamos em sua casa e me encantei com a sua mulher: uma senhora de 68 anos que parece ter 40... Impressionante a vitalidade e a disposição daquela mulher... A comparação com seu marido na cama era inevitável, até devido aos poucos anos de diferença de idade. Ela, muito ativa, ainda joga vôlei e mantém uma alimentação saudável; ele, deitado na cama, mal conseguia respirar ou sentar em uma cadeira... Analisando a situação, não conseguia parar de pensar em alguns pontos que já aconteceram comigo. Parei de fumar a alguns anos, mantenho a minha alimentação saudável, faço academia e não bebo (uma ou outra taça de vinho de vez em quando não conta), tudo isso por que sempre desejei chegar na minha velhice como àquela senhora... Conversei algum tempo com ela e, a cada momento, me encantava cada vez mais: pintora e formada em psicologia, ela esbanjava elegância e sabedoria. Um ser humano raro de se encontrar atualmente... Quando conversamos sobre seu marido, ela – naturalmente – me disse algo que achei de uma profundidade imensa: “eu já aceitei que ele vai partir... infelizmente não posso fazer nada para mudar. Se me pedissem para fazer qualquer coisa hoje para ele melhorar, eu faria de todo coração... mas, não é possível... é triste, sim... realmente... mas, devemos aceitar a vida como ela é”. Essas palavras formaram uma das mais lindas declarações de amor que eu já escutei... Fiquei comovido pela grande sinceridade e dedicação que emanavam delas... Fui em direção ao quarto e auxiliei em alguns procedimentos com o senhor. Decidiram leva-lo para o hospital para alguns exames e fomos vesti-lo... Ele estava fraco e não conseguia nem falar, mas o seu olhar era brilhante e forte. Suas filhas chegaram e ajudaram na resolução do problema e decidiram leva-lo no carro de uma delas. O acomodamos em uma cadeira e – com alguma força – levamos até o veículo. Pronto! Nossa parte estava concluída. Agora, teríamos que aguarda-lo voltar do hospital para iniciar os cuidados em sua casa. Saindo, a senhora olhou para mim e disse: “Volte... vamos tomar um café e conversar sobre arte...” Adorei o convite, ainda mais feito por uma mulher que – sem conhece-la – já a admirava pelo o que ela representava para mim... Agora, toda vez que alguém perguntar porque eu me alimento somente com comidas integrais – já que são tão ruins -, não como muito doce – já que é a oitava maravilha do mundo - e muito menos bebo até cair ou fumo até não agüentar mais, vou responder apenas com um sorriso... e vou me lembrar da senhora, imaginado ela - com 68 anos - fazendo um grande saque em uma partida de vôlei... **** Infelizmente, no final da tarde, chegou uma notícia triste: o senhor, após chegar ao hospital, faleceu... Como disse a senhora: “temos que aceitar a vida como ela é...” Mas, sei o quanto essa frase é difícil de entender... Mesmo assim, quero passar um dia para tomar uma xícara de café... não pelo café – evidentemente - mas pela grande pessoa que conheci... Uma lição que não esquecerei...
Escrito por Medusa às 19h07
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