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30 anos...
Chegou afinal... estou com trinta anos! Acordei no dia do meu aniversário e tudo estava lá: o céu da mesma cor, o sol brilhando - sem nenhuma sombra de outra cor, senão o amarelo -, o Eugênio estava morrendo de fome esperando o café da manhã, minha pele não estava soltando nenhuma gosma e meu cabelo estava todo grudado na cabeça... tudo igual, mas... havia algo diferente!
As mensagens no celular começaram cedo... sem falar que meia noite e um há havia recebido quatro. Enquanto estava tomando café, a primeira ligação... minha irmã me desejando parabéns. Cheguei na academia e minhas amigas já desceram a escada correndo feito umas loucas com presentes na mão... e, infelizmente - creio que para irritar porque elas sabem que eu não gosto - me cantaram parabéns... inclusive, foi colocada a música nas caixas de som de toda a academia. Muito bem... é o preço... mas algo estava estranho.
"E aí meu velho... conta pra mim como é chegar aos 30..." Somente dei uma pequena risada... Eles não entenderiam mesmo... só quem já passou consegue entender... Mais presentes, cartões, apertos de mãos. É um dia maravilhoso aonde as pessoas demonstram carinho - mesmo sendo totalmente falso... Não consegui treinar direito, o celular não parava um minuto e eu não queria deixar ninguém sem resposta, por educação. Ligaram: ex-namoros, amigos que não falava há muito tempo, colegas de trabalho... até a veterinária do Fred - meu cachorro - mandou mensagem... e eu continuava com aquele pensamento de algo anormal...
Bem, passei no trabalho - somente para colocar algumas coisas em ordem - e mais "parabéns, felicidades..." e a pergunta: "Quantos anos está fazendo?" era feita a todo momento... Cansei de responder: "30 anos..." e receber de volta a manjada indagação: "Ah, meus 30 anos... como foram bons... como eu queria voltar no tempo...". Tudo bem... estava totalmente tranqüilo para aceitar as nostalgias das pessoas. Aliás, isso me faz pensar que continuo praticamente um adolescente... Ganhei muitos presentes para casa - já que estou morando sozinho. Eu achei fantástico, já que minha cozinha não tinha praticamente nada... Sai carregado de sacolas e fui andar pela cidade... algo havia mudado.
Andei, pensei e refleti muito... Não marquei nada com ninguém e fiquei sozinho até o final do dia... Caminhei mais um pouco, tomei um caldo de cana maravilhoso e sentei no meio de uma praça. Sim, algo estava diferente e consegui enxergar o que era: depois de tanto esperar e querer que algo acontecesse, eu, sutilmente, mudei. Eu sinto isso! E, a partir daquele momento quero que todos os meus dias sejam uma grande oportunidade para eu ser feliz e realizar algo... Alguma coisa que me faça crescer e ter a oportunidade de provar que mereço estar aqui...
Sim, trinta anos... três décadas de vida. Muitos erros, vários acertos... Não me arrependo de absolutamente nada, pois tenho a certeza que se não tivesse feito, tentado ou errado, não seria quem eu sou hoje... Confesso que chorei... E foram lágrimas puras e sinceras. Tudo o que tenho hoje foi conquistado com uma luta corajosa e de caráter. Sou um reflexo das minhas conquistas e derrotas... e não me envergonho de nada, pois acredito fielmente que deixei alguma marcas por onde eu passei e alguns sorrisos que ajudei a expressar... A melhor lição nesses trinta anos? Bem... o difícil não é chegar lá em cima... e sim, deixar de subir!
Foto: Calienteia
Escrito por Medusa às 21h57
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