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Com Cobras na Cabeça...


MEU ANIVERSÁRIO...

Escrito por Medusa às 23h44
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A mão que guia...

Amanhã é meu aniversário... passei a semana inteira fazendo brincadeiras, dizendo que faltavam poucos dias para eu ficar velho. Infelizmente, falamos coisas realmente sem pensar... Estava conversando com uma amiga e comentando que a vida estava passando e o devido valor ao tempo não fluía de mim. Evidentemente que gosto muito mais de mim hoje do que há dez anos atrás... Hoje estou com o corpo que eu quero, estabilizado financeiramente e concluindo os estudos que eu queria... Já realizei alguns sonhos, faltam outros... Não posso reclamar de absolutamente nada. Sem comentar a minha excelente saúde... “Nós só damos o devido valor as coisas quando perdemos...”

 

Hoje, chegando ao meu trabalho, vi uma cena muito triste: passo sempre pelo portão de atendimento ao público – todos os dias lotado se sacolas – e uma velhinha muito humilde, com as roupas velhas e o cabelo todo branco, falava rodando nos calcanhares: “eu não sei aonde estou, não conheço esse lugar...”. Fui em direção a ela e vi que era cega de um dos olhos... Larguei todas as sacolas no chão e segurei sua mão. Ela me olhou como se eu fosse um ser superior e em seu olho vi sua felicidade por encontrar alguém para ampara-la. De repente, vi uma mulher – também muito humilde – vindo em nossa direção apressada, falando: “Tata, por aqui Tata...” A mulher a pegou pelo braço e eu soltei sua mão... Mas, recebi um grande sorriso de agradecimento...

 

Fiquei impressionado com aquela senhora... passei a tarde pensando na cena... E se ela não tivesse ninguém para guia-la? Às vezes, a vida nos oferece as repostas para tudo e nós que teimamos em não aceita-las. Quantas horas eu perdi pensando que estava chegando aos trinta anos sem rumo ou caminho na vida traçado? Quantas coisas eu poderia ter feito a mais do que fiz até hoje? Será que fiz algumas escolhas de maneira correta? Ou poderia estar melhor se eu tivesse seguido com outras opções? E a pergunta mais importante: Para que eu gostaria de saber as respostas de todas essas perguntas? Com certeza não ajudaria a minha vida a ficar melhor...

 

Como a velhinha de hoje, muitas vezes eu me senti sem rumo e cego dos dois olhos em algumas situações na minha vida. Queria gritar... as lágrimas não saiam... mas, agüentei e continuei os passos. A verdade suprema que “o tempo cura tudo” não é verdade... Ainda sinto essas lágrimas que não derramaram presas em meus olhos... O tempo não as secou... Ele somente apazigua os pontos... E infelizmente tudo continua guardado para explodir nos momentos certos.

 

É nesses momentos que sonhamos com a mão amiga; a mão familiar; a do ser que dedicamos amor... em todos os momentos que minha mão é solicitada, ela está pronta pra servir. Ontem, eram quase cinco horas da manha quando meu celular tocou. Atendi meio dormindo e era um amigo - chorando. Tinha sido assaltado e estava sem nada para voltar pra casa. Roubaram tudo: carteira, celular, bolsa... tudo. Eu estava com uma gripe horrenda mas, levantei, coloquei dezenas de blusas e me enrolei em um edredom... e lá fui eu atrás dele. Cheguei e aquele olhar de agradecimento e segurança inundaram meus olhos...

 

***

 

Quando eu chegar na idade dos cabelos brancos como algodão e – se acontecer - estiver totalmente perdido, a única coisa que vou querer é uma mão para me guiar e não mais tudo pelo o que eu lutei a vida inteira...

 

 Mãos unidas... Foto: Internet



Escrito por Medusa às 22h55
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