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Morte... última lição???
Algum tempo atrás, li um título em uma capa de revista que me chamou a atenção: MORRER: A última lição... Refleti muito sobre isso e conclui que não deve ser a última lição e sim, a primeira. Quando uma mulher chega para seu marido e diz: “Estou grávida...” se tem à certeza de apenas uma coisa: algum dia aquele ser que acabou de ser concebido irá morrer. É a única coisa que sabemos sobre ele e nada mais... Como vai ser seu futuro, sua carreira, se casará ou terá filhos,... nada se sabe... apenas a certeza de sua morte. Isso é ruim? Não, de forma alguma. Não somos nada mais que apenas uma ínfima parte do complexo da vida. Depois da fórmula básica instituída pela Mãe Natureza (nascer, crescer, se reproduzir e morrer) desde o princípio, sabemos que depois que nossos descendentes nascem, nossa finalidade para ela acabou. Tanto é verdade que depois que deixamos de ser fértil, envelhecemos... o preparo para a morte. Não temos mais utilidade para a Mãe Natureza, cumprimos nosso papel... e somos descartados para os próximos seguirem o mesmo destino. Isso é cruel? Depende do ponto de vista.
Imagina o tédio de se viver eternamente... seria insuportável. Nada teria fim... O conceito de vida seria mudado. Não teríamos propósitos, não seríamos plenos; A sensação de “dever cumprido” não existiria; Nossos laços de família seriam perdidos... como se controlaria todos os netos, dos netos, dos netos dos seus netos? Impossível!; Lutar por um objetivo? Imagino a resposta: “Para quê? Tenho toda a eternidade para conseguir...”; A solidariedade entre as pessoas (que, convenhamos, hoje em dia quase não existe) seria extinta. Para que ajudar? Não vai morrer mesmo...; Isso sem comentar que o mundo seria inabitável... Hoje, a população do mundo consome muito mais do que o planeta consegue produzir... Você já imaginou se ninguém morresse? Se não existisse a morte? Estaríamos em um verdadeiro pesadelo... Aonde todo mundo moraria? O que comeria? A vida seria dolorosa...
O assunto retornou a meus pensamentos pois um amigo perdeu o pai em um acidente de carro recentemente. Nessas horas sabemos o quanto é difícil o sentimento de perda. Tentar entender o verbo “perder” em quesitos materiais já é complicado, imagina em relação a pessoas... ainda mais sendo os sagrados pai e mãe. Tentei conforta-lo como achei prudente. Sei que nessas horas o que queremos é sumir e não conseguimos controlar o sentimento de raiva e desespero... é muito mais forte que qualquer princípio, de qualquer natureza... Por mais que sabemos que é o inevitável, ainda não admitimos que é o ciclo natural da vida.
Na mesma semana, o meu peixe beta – o Barney – que já estava comigo há algum tempo morreu. Minha irmã estava cuidando dele enquanto eu estava viajando. Realmente tive a certeza que a grande maioria das pessoas não sabem como lidar com a morte pelas palavras dela no telefone: “Vem aqui buscar o Barney porque ele morreu e eu nem quero ver aquele aquário perto de mim...” Conversei e tentei explicar algumas coisas, até que a convenci a enterrá-lo sozinha... Uma lição de vida... inclusive quem ajudou no sepultamento foi meu cachorro, o Fred... que era irmão do Barney... não de espécie, mas de coração.
Depois de uma vida inteira de luta e perseverança, creio que o ser humano mereceria ter uma morte digna, como a avó de um amigo meu: Ela falou para os filhos que estava com vontade de ir para a praia com todos eles e os netos. Tanto falou que convenceu a todos a passar um final de semana na casa de praia. Durante o sábado, falou e brincou muito, ainda mais do que o suportável pelas suas limitações devido a idade. No domingo, ficou na praia com os netos fazendo castelo de areia e pulando na água... Meu amigo disse que não esquece o sol refletindo naqueles cabelos brancos como o algodão... No final da tarde, disse que queria ficar um pouco sozinha para descansar, em sua cadeira de balanço, olhando o mar. Depois de um tempo, pensaram que ela estava dormindo. Sim... o corpo estava dormindo, mas a alma que, naquele momento o havia deixado, estava muito viva...
***
Ganhei um novo peixe beta... o Eugênio! Olhando de perto, é a cara do Barney – acho que são parentes distantes... Jamais ele irá substituir o Barney... mas, fiquei feliz em ter um novo companheiro...

Igual ao Barney... foto: Planeta Pet
Escrito por Medusa às 13h39
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