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Vergonha na cidade provisória 3... nunca mais retorno aqui...
Eu prometo: nunca mais apareço nesta cidade... Eu estava no último andar e, para minha “sorte”, o elevador quebrou. Depois da análise mecânica, o problema era uma peça que demoraria vinte dias para chegar. Bom, subir todas as escadas ficou cansativo, mas gostei do meu quarto, a vista era muito bonita e não havia incômodo de vizinhos no andar.
Um dia, chegando no hotel, o gerente me perguntou se eu não gostaria de trocar de quarto – já que minha estadia seria grande – para não ter o incômodo de subir vários degraus todos os dias. Respondi que não havia necessidade, mas ele insistiu dizendo que o apartamento 202 era maior e sem o barulho do trânsito da rua, já que ficava do outro lado do prédio, e ele iria deixar pelo mesmo valor do outro. Bem, não fui mal educado: peguei a chave e fui dar uma olhada no 202.
Realmente, o apartamento era muito maior e mais aconchegante. A vista não era grande coisa – prédios próximos ocultavam parte da visão – mas, tudo bem. O banheiro era muito melhor e a cama mais fofa. Até desconfiei, pensando que era algum plano ou intenções escusas do gerente, mas depois confirmei que era somente uma gentileza mesmo. Voltei e disse a ele que aceitava e mudaria de quarto. Durante meu jantar, eles levaram todas minhas malas e pertences, arrumando tudo no seu devido lugar.
Cheguei no meu quarto novo e estava tudo ótimo. Assisti um filme muito bom na televisão e adormeci... Acordei um pouco mais tarde – não fui para a academia – queria ficar um pouco mais na cama fazendo algo que amo: assistindo desenhos... Não me lembro à última vez que fiz isso. Havia esquecido como eu adoro. Espreguicei-me docemente, levantei e abri a enorme janela... Ai, que delícia essas manhãs primaveris, aonde o doce aroma das flores invadem nosso olfato sem pedir licença... Sim, eu acordei meigo!
Liguei meu notebook e evidentemente coloquei músicas dances maravilhosas – aquelas que denunciam nossa idade – em um volume considerável. Sei que neste horário da manhã, quase ninguém está no hotel, então aproveitei. Minhas preferidas: Whitney Houston, Donna Summer e Cher. Comecei a tirar a roupa: camiseta para um lado, short para o outro tudo ao som de “...Oh! Wanna dance with somebody, I wanna feel the heat with somebody, Yeah! Wanna dance with somebody, With somebody who loves me…” e cantando junto com minha maravilhosa Whitney.
Sem roupa, fui direto ao chuveiro… Com o som no último volume. Sai do banheiro, todo ensaboado, para cantar e me olhar no grande espelho que tem no quarto, fazendo do shampoo meu microfone – quem nunca fez isso? Eu adoro! Terminei meu banho e continuei minhas performances. Jogava a toalha para cima, enquanto me enxugava, fazendo movimentos iguais a um toureiro... sem falar que eu girava nos calcanhares feito um pião... queria ver alguma mulata de grupo de samba ganhar de mim no rebolado...
A música acabou e eu me virei – de braços abertos - para receber os aplausos da platéia invisível... De repente, fiquei em transe... percebi que a platéia não era tão invisível assim: no prédio de frente para a janela, três moças debruçadas na grade da varanda, olhavam para mim estáticas... Corri e fechei, com uma única e rápida puxada, a cortina da janela. Não acreditei... Abri uma fresta e as vi morrendo de rir. Uma gritava alguma coisa que eu não entendi... Fiquei morrendo de medo: será que alguma delas filmou para colocar na internet??? Imagino o título: “O retorno da enlouquecida Whitney e sua toalha demoníaca...”
***
Nota mental: Preciso voltar urgentemente para meu antigo quarto, porque senão vou morrer de calor, pois vou lacrar a janela...
Minha maravilhosa Whitney... Foto: Internet
Escrito por Medusa às 14h16
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