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ESTOU EM NOVO ENDEREÇO: http://comcobrasnacabeca.blogspot.com/ (clique no nome do blog) VISITEM!!!!!!!!!
Escrito por Medusa às 15h17
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Saudade gostosa...
Senti uma saudade gostosa hoje... sabe aquela que vem ínfima e vai crescendo, depois que você deixa-se dominar? Sim, desta saudade que estou falando. Aquela que faz você parar tudo o que está fazendo e ficar olhando o vazio, como se o mundo se concentrasse em apenas um ponto... um pequeno e diminuto ponto, onde se encontra imagens, sentimentos e emoções... tudo coroado com aquele pequeno e leve sorriso que você demonstra e oferece não se sabe para quem. Hoje aconteceu comigo... lembrei de uma amiga. Uma velha e boa amiga, que foi minha companheira inseparável durante muito tempo. Ela morava perto da minha casa e eu, um adolescente totalmente dominado por emoções, me apaixonei por nossa amizade. Juntos, estudamos todo o segundo grau. As caminhadas em direção ao colégio eram maravilhosas... e as voltas para casa também. Foi em uma dessas voltas, em uma noite muito fria, que aconteceu uma das minhas maiores emoções: sempre foi meu sonho ver neve e, quando estávamos caminhando para casa, notei algo diferente caindo do céu... Uma chuva finíssima – que já estava caindo há horas -, de repente, parou e começaram a cair pequenos flocos brancos. Nós dois começamos a gritar e dar gargalhadas no meio da rua. Mas, analisando a situação, eu disse: “Ah, mas é muito pouco...”; e então, recebi uma das maiores lições que aprendi: “É tudo o que você tem agora. Você não queria ver neve? Então... isso é neve! Aproveite o momento”. Foi com ela que fumei meu primeiro cigarro. Ela já fumava e eu odiava. Foi então que, no meu aniversário de dezoito anos, resolvi experimentar. Quando pedi um cigarro, ela disse: “Você tem certeza disso?”. Não respondi nada e, simplesmente, peguei. Traguei normalmente e não me afoguei. Simplesmente senti aquela tontura desesperadora. O problema foi convencer as pessoas que eu não fumava escondido... Foi nessa noite que estávamos em uma festa calorosa. Depois, nos abraçamos e começamos a andar pela cidade, cantando e contando umas histórias totalmente desequilibradas. Era minha cúmplice em tudo, principalmente em roubar a garrafa de café da sala dos professores... Foi para ela que, em meio a lágrimas, confessei minha primeira paixão: estava deitado em minha casa e precisava falar para ela. Saí correndo e gritei seu nome pelo portão. Ela abriu a janela, eu entrei e ali mesmo – na janela – contei meu segredo... e foi ali também, que recebi um abraço apertado e inesquecível. Em alguns instantes, estávamos rindo, como duas crianças que acabaram de fazer alguma brincadeira maldosa. Louca... desvairada... emotiva! Divertida... realista... sonhadora! Em meio ao cabelo ruivo mais lindo e encaracolado que eu já vi em toda a minha vida, o seu sorriso e suas emoções deixavam qualquer ambiente inundado de felicidade. E, como eu mencionei, o que eu mais sinto falta é que, por mais incrível que isso possa aparecer – e é totalmente verdade – nós conseguíamos rir de tudo: das tristezas, desilusões, sonhos quebrados, paixões mal resolvidas... tudo era motivo de alegria... Os professores ficavam desesperados com isso porque, várias vezes, no meio da aula, eu – ou ela – não agüentava e soltava uma grande risada... de felicidade! *** Inseparáveis... era como nos definiam... “Lá vem a unha e a cutícula”... E é impressionante que, se eu encontrá-la novamente, tenho certeza que será como se tivéssemos nos separado ontem. Amiga... não nos vemos há anos, mas estou aqui e sei que você está em algum lugar... e só isso já me alegra intensamente...
Escrito por Medusa às 23h33
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Dois meninos, duas meninas, um menino e uma menina...
Ontem eu estava na faculdade e – comum nesta época do ano – a noite estava demasiadamente fria e nada como um bom café com leite para esquentar. Esperei o intervalo e fui para a imensa fila da lanchonete. Na minha frente, duas meninas riam sem parar e fiquei interessado no assunto: era sobre duas meninas de uma turma – homossexuais – que estavam sentadas em um banco, de mãos dadas, conversando. Para ser sincero, eu nem havia notado elas anteriormente... Voltando para a sala – com o meu café – entrei na internet e na capa de um jornal, uma notícia chamou minha atenção: “piloto fica aborrecido com personagem gay de novela que também será piloto”. Lendo a reportagem, um comentário do piloto foi excelente: “eu não tenho nada contra gays, mas um piloto gay é muito fora da realidade...”. Será que não existe nenhum piloto gay??? Pedreiro? Bombeiro? Mecânico? Sabemos – e isso é um fato – que desde os primórdios da história da humanidade, a homossexualidade é um fator presente. Normal? Anormal? Genética? Ou um simples fator de comportamento? Não sei... já li dezenas de artigos afirmando que a homossexualidade é “culpa” dos pais, dos hormônios, da genética, do habitat, da mãe natureza... e uma infinidade de argumentos absurdos e incompreensíveis. Certa vez, deixei um fanático religioso sem resposta a respeito do tema: ele afirmou que “fazer sexo anal não era normal e que todos que usavam partes do corpo para outros fins (os gays) seriam condenados...”. Perguntei a ele se era casado... Recebi uma resposta positiva. Depois, perguntei se ele beijava sua mulher... “Claro que sim, somos casados”. Conclui – e respondi – que ele iria para o inferno. Ele ficou irritado e – grosseiramente – perguntou o porquê da minha conclusão. “Simples: se Deus fez o ânus para defecar, ele fez a boca para a alimentação e a comunicação... se você a usa para o beijo (e também para o sexo oral), também será condenado... “ O grande argumento deles, é a Bíblia... bem, em minha opinião, a Bíblia é um lindo romance... e só. Creio que Deus sempre foi bem ocupado para ter tempo para escrever um livro. E mais: se realmente a Bíblia é verdadeira, deixo de acreditar em Deus agora, pois um Deus vingativo, como existe no Velho testamento, onde tem a coragem de matar todos os seus filhos, para mim, é improvável... Vemos que um pai, por mais que seu filho seja o pior ser humano do mundo, seu amor continua inabalável... Então, como conceber matar todos os filhos de uma vez? E mais, acreditar em Adão e Eva, hoje em dia, é demais... Deixando assuntos polêmicos a parte, não estou degradando os héteros e defendendo os gays... Creio que algumas de suas ações são degradantes. Se eu estivesse passando em uma Avenida, com meu filho, e visse um monte de homem musculoso de sunga e diversos travestis com os seis de fora, às três horas da tarde, com certeza eu viraria seu rosto, pois não queria que ele pensasse que ser homossexual era aquilo. Também sou totalmente contra essa história de “sair do armário”. Desde quando um heterossexual se apresenta: “Olá, meu nome é fulano e eu sou hétero”? Então, para que essa exposição total de sua intimidade? Creio que sua orientação sexual só é importante para quem você está interessado. E aqui chegamos a um ponto importante: Opção sexual? Não... ninguém marca um X quando nasce para sua sexualidade. Orientação sexual? Não... ninguém é orientado a nada... Creio que o termo “sexualidade” ficaria melhor... Pena que não vou viver em uma época que discutir a sexualidade de alguém será tão relevante quanto discutir se ela é canhota ou destra... *** 1 Corinthios 6:10 Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os EFEMINADOS, nem os SODOMITAS, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus Hummm... Creio que Deus não gosta de visitas em seu Reino... 
São dois machos... não, são duas fêmeas... não, não, é um macho e uma fêmea... Ah, também, o que importa? Deixem eles serem felizes...
Escrito por Medusa às 21h22
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Os dois lobos
Estou apavorado – e com medo – do que estou lendo em sites na internet... Não estou falando de sites que disseminam algo ruim (ou para realizar ações que não merecem ser escritas) e sim de páginas respeitáveis, de grandes provedores e jornais de grande porte. Antes que você pense, também não estou indagando sobre as notícias das chuvas devastadoras, assassinatos por questões ínfimas e sem sentido ou sobre a corrupção desenfreada que ocorre por todo o país... Estou falando da grande violência verbal dos comentários sobre as matérias e reportagens... Comentários feitos por pessoas comuns, que estão lançando um novo patamar na história da comunicação. Para ilustrar melhor esta questão, resolvi navegar por alguns sites hoje para colher informações: Notícia 1: Aluna que recebeu ofensas de seus colegas na Universidade lança linha de vestidos; Comentários: “O que essa Ca&%$la pensa que é? Vai trabalhar pi*&%nha.”; “Cadê os estupradores que não pegam essa p*$%ta e não matam de vez?”; “Deveria morrer, junto com toda a família, para não ficar um sobre a terra...”; “Esse país é uma vergonha, deixando essa filha da p%$#@ ganhar dinheiro com isso, se alguém da minha família usar, eu arrebento a cabeça até estourar”; Notícia 2: Artista pede divórcio devido a traição do marido; Comentários: “Bem feito, já tem cara de pi*%$nha mesmo, merece...”; “O que??? Ele só traiu? Porque já não arrebentou a cara dessa vaca de uma vez?”; “É isso o que vaga%$#@da tem que ter na vida, um homem para meter chifre sempre...”; Bem..., acho melhor eu parar por aqui... E foram somente DUAS reportagens... Agora, imagina você no lugar da pessoa traída lendo esses comentários? Uma pessoa, já fragilizada devido aos acontecimentos, é capaz de cometer loucuras lendo apenas algumas linhas... Ainda creio que fui brando na ilustração que fiz. Existem comentários piores que, até você que não tem nada a ver com a história em questão, se horroriza. Isso é a evolução da fofoca, da maledicência, dos comentários maldosos dos vizinhos e das pessoas que nos rodeavam há não muito tempo atrás, onde falar mal dos outros era um ato saudável, sem agressões de alta violência verbal... Sabe qual tempo que estou falando? Aquele tempo que você deixava seus filhos irem para a escola sozinhos, soltando pipas e brincando com os amigos... A certeza absoluta que ele iria voltar sã e salvo para casa nem passava pela sua cabeça, pois isso era mais certo que conta de somar... Hoje, além de você trancafiá-los em uma verdadeira prisão, pode ser ainda que - Deus que me perdoe – seu bem mais precioso não volte mais... E você o ache em condiçõ..., não... creio que é melhor parar por aqui. Estudos demonstram que o ser humano possui dentro de si uma violência latente que, às vezes, precisa ser exteriorizada... Existem diversas modalidades de ações humanas (muitas vezes extremamente brutais) que comprovam este fato, mostrando que a grande fera interna humana consegue tomar conta do corpo do homem... Voltando a infância, Bela (da grande fábula A Bela e a Fera) conseguiu domar a grande Fera... Um exemplo mais adulto? “Um ancião índio descreveu os seus conflitos internos da seguinte maneira: Dentro de mim tenho dois lobos. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois estão sempre prontos para brigar. Quando lhe perguntaram qual o lobo que ganhava a briga, o ancião respondeu: - Aquele que eu alimentar...” *** “Eu achei esse texto uma M%$da. Você é um estú#$do!” – José “Que texto ridículo e podre.” – Carlos “Falem o que quiserem, eu gostei... e muito!” – André 
Escolha o seu...
Escrito por Medusa às 14h46
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Alguns fatos dizem sua sabedoria por si só...
Três histórias: Estava tomando café da manhã e assistindo a programas sem muito nexo, quando uma reportagem fez com que eu parasse de comer meu pão com geléia: um senhor que vive dentro do seu próprio carro... mais precisamente em seu táxi. A repórter acompanhou um dia na vida desse homem: Ele acorda pela manhã e vai direto para academia. Lá, ele possui um armário próprio onde, depois de se exercitar, toma o banho do dia. Coloca uma roupa limpa - direto da lavanderia - e vai tomar seu café da manhã em uma lanchonete que já faz parte permanente da sua vida. Um passeio pela cidade, uma conversa com amigos na praça, um almoço bem servido... e direto para o trabalho, que termina no final da noite. Depois do último passageiro, ele abaixa o banco do carro e inicia o sono dos justos. A repórter perguntou: “Como o senhor começou a morar dentro do táxi?”; “Eu me separei da minha mulher e não tinha onde morar... dormi uma noite dentro do carro, depois outra, e mais outra... quando eu vi, já tinha passado alguns meses... Percebi que eu não precisava de muito para viver e ser feliz... No meu carro eu tenho tudo: minhas roupas, meus pertences... Não preciso de mais nada por enquanto... estou muito bem assim...” Há alguns anos– não sei precisar se dois ou três– li uma reportagem no jornal sobre a lista dos homens mais ricos do mundo, publicada na revista Forbes. Pela centésima ou milésima vez, Bill Gates encabeçava a lista. Gosto de ler reportagens sobre este assunto até para saber onde está concentrada a grande parte do dinheiro que move o mundo e em quais atividades. Evidentemente que a tecnologia sempre foi a primeira da lista. Continuando sobre a reportagem – depois que listavam os vinte homens mais ricos do mundo, com um breve resumo sobre suas vidas e empresas – uma entrevista com um dos dez primeiros colocados chamou minha atenção, mais especificamente duas perguntas: “Depois de acumular uma fortuna de mais de 20 bilhões de dólares, o senhor encontrou a felicidade?”; Resposta direta, seca e curta: “Não.”; Espantada, a repórter retrucou: “Não? E quando o senhor crê que será feliz?”; “Quando eu conseguir chegar a 30 bilhões...” Nos últimos meses, o que mais aparece na televisão são reportagens sobre as chuvas e inundações que ocorrem nas cidades brasileiras. Devastações: pessoas que perdem tudo o que construíram durante toda sua vida; Perdas de vidas humanas: dezenas de lágrimas que correm no rosto dos que perderam uma, duas, três... pessoas da família – ou a família inteira. Diante de tanto sofrimento e desespero, assisti uma repórter de um telejornal anunciar que mais uma vez a chuva havia arrasado a zona rural de um estado, mostrando como exemplo a pequena propriedade de um homem que estava ao lado dela, com um semblante calmo e sereno, apoiando-se com as duas mãos no cabo da enxada. A pele, totalmente enrugada, estava protegida pela sombra de um chapéu de couro totalmente surrado. “O que o senhor perdeu seu Sebastião”? – perguntou a repórter; “Tudo...” – reposta clara, simples e direta. Complementou: “minhas plantações... que planto para meu sustento e de minha família, os móveis da casa, ferramentas... a água levou tudo...”; A repórter ficou incrédula com a falta de agonia e desespero: “Mas... o que o Senhor irá fazer agora seu Sebastião?”; “Plantar tudo de novo, começar tudo de novo... fazer os móveis, ir atrás de ferramentas... até porque tenho que colocar comida na boca dos meus filhos... e a vida é assim: não temos tempo para chorar o que se perde...” *** Alguns fatos dizem sua sabedoria por si só...
Escrito por Medusa às 21h00
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Apenas um segundo...
Sérgio (nome fictício) acordou atrasado... o alarme do celular tocou, mas a preguiça – e os braços da sua mulher – não deixaram ele levantar da cama e os famosos “mais cinco minutos” viraram quase meia hora. Mas, o dever chama e, como uma minhoca, ele desvencilhou-se dos inimigos, principalmente do maior deles: o edredom. Estava cansado da noite anterior... Ficou brincando até tarde com o seu filho de seis anos que implorava por atenção desde o início da semana e, como seu primogênito era dotado de uma energia nuclear, o jogo de futebol no quintal de casa durou, dos quinze minutos iniciais, para quase duas horas... “Vamos parar garoto atômico...” falava ele, quando sua mulher chamou para o banho e, depois, o jantar das noites de domingo... maravilhoso: farofa com pedacinhos do resto da carne assada do almoço... como é bom... Andou diretamente para o banheiro e bateu em um carrinho do “garoto atômico” jogado no seu quarto: “papai, olha o que eu desenhei e colei no carrinho?”. Ele, já deitado e com o cansaço fechando seus olhos, ficou observando os desenhos do seu filho até este fechar os olhos... Batendo no carrinho, ele lembrou da cena e deu um pequeno sorriso. Juntou o brinquedo e entrou no banheiro... abriu o chuveiro e deixou a água terminar o trabalho do despertar. Arrumou o cabelo, escovou os dentes e olhou no espelho: sim, foi obrigado a fazer a barba. Saindo do banheiro, o cheiro do café passado inundou seu olfato. Agora sim, os olhos abriram totalmente. Abriu o guarda-roupa e o clássico jeans com camiseta preta foi escolhido. Uma meia branca, com um tênis prata findou o visual. Entrou na cozinha e a primeira imagem foi a do seu filho comendo um pedaço de pão molhado no café com leite. A réplica da sua infância... “Bom dia papai”. Ele agachou, deu um beijo na testa do seu pequeno e respondeu “Bom dia filhote”. Em seguida, um beijo foi dado nos lábios da sua mulher, que terminava de passar geléia de uva (sua preferida) no pão quentinho, saído do forno. Comeu rápido... estava atrasado e tinha muitas entregas para fazer... início de semana. Pegou a pasta, as chaves e o seu filho, com a mochila nas costas, veio correndo pedindo: “Você vai me levar hoje papai?”. “Não filhote, hoje a mamãe vai levar você...”; “Mais uma vez...”: sua mulher questionou, surgindo, parada na porta da cozinha com os braços cruzados... “Desculpe amor, prometo que amanhã eu levo... Tenho tantas entregas hoje que não sei a hora que vou acabar”, virando-se e ficando de joelhos, pegou seu filho pelos braços e o levantou, dando um grande abraço e um beijo, dizendo: “Boa aula campeão... hoje, quando o papai chegar, vamos jogar bola de novo e eu prometo deixar você ganhar...”. O pequeno ficou na porta da sala, vendo seu pai tirar a moto da garagem... O alto ronco do motor acelerando o fez colocar os dedinhos no ouvido. O gesto de tchau foi dado incessantemente, com a mãozinha pequena e franzina, mas... o seu pai não olhou para trás... *** Foi essa a estória que eu imaginei para o homem que eu vi deitado – e morto - , no meio da avenida, quando eu estava indo para o trabalho. Sua camiseta preta estava rasgada e sua calça jeans estava suja, enquanto a moto, toda retorcida, estava jogada quase do outro lado da rua... O caminhão, que acertou o motoqueiro, estava parado e várias pessoas estavam falando no celular, fazendo vários gestos com a mão... Alguns segundos, alguma falta, alguma ação (como levar o filho à escola ou esquecer de fazer uma entrega) poderiam deixar o pai voltar e jogar bola com o seu filho... Sim, um segundo é muito importante... vale uma vida! 
Tchau... foto: glaucianunes.wordepress
Escrito por Medusa às 20h30
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Exemplo? Sim, Exemplo...
Estava navegando pela internet e em um site li a seguinte frase: “Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais”. Não sei quem escreveu, pois em diversas páginas, a mesma frase possui autores diferentes... Mas, creio que é uma grande frase... alguns diriam que é um pensamento sobre relacionamentos. Não vejo somente desta forma. Quando comecei a trabalhar, um dos funcionários do lugar era um grande homem. Muito bem vestido e elegante, era um exemplo a ser seguido. Eu ficava impressionado com suas atitudes e decisões, sem falar em sua roupa impecável – sempre de calça social, gravata e uma camisa extraordinariamente bem passada. Não tinha mais de trinta e cinco anos e eu era apenas um menino. O respeito que eu tinha por ele era muito grande e eu me espelhava até em como ele tomava café. Com uma inteligência privilegiada, ele estudava todos os dias. Eu tinha certeza que ele conseguiria algo maior. Aquele emprego, para ele, era apenas uma passagem... nada mais. E eu comecei a planejar minha carreira exatamente igual: combinava minhas roupas, cabelo sempre bem cortado e todos os dias eu estudava nas horas vagas. Como eu tinha certeza que ele sairia dali para algo muito grande, eu queria algo maior para mim também... Depois de algum tempo, meu ideal de ser humano se espatifou: ele organizou um grande complô para conseguir o lugar do chefe. Evidentemente não deu certo e ele ainda tentou culpar seus amigos que estavam ao seu lado, induzidos a ajudá-lo em suas pretensões. Foi um golpe fatal: sua carreira caiu mais rápido que um meteoro e o grande homem que eu via se transformou – exatamente como a Alice no país das maravilhas quando toma o líquido de um dos frascos – em um pequeno homenzinho franzino. Fiquei muito triste e decepcionado. Ele foi, por muito tempo, meu grande exemplo... o que eu queria ser quando “crescer”. Mas, avaliando muito detalhadamente depois, percebi que grandes foram meus ideais fantasiosos em cima de alguém que eu idealizei como meu “espelho do futuro”. Ele não tinha a obrigação nenhuma de ser o “grande homem” que seria meu exemplo perpétuo de vida pessoal e profissional - como não foi – mas, enquanto ele foi esse homem, estudei muito, comecei a andar muito mais bem vestido (de acordo com minhas condições) e a me portar muito melhor... Ou seja, deu certo. Vejo que podemos pensar principalmente no “durante” e não somente no final decepcionante que uma pessoa pode causar em nossa vida. Algo bom sempre irá ocorrer, não somente desilusões e descrenças em relação às pessoas. Alguém decepcionou você? Lembre-se que a vida é repleta de caminhos com extensas voltas e antes de criticar e julgar alguém por lhe causar uma desilusão, você já pensou em quantos você já decepcionou? *** Hoje, o “grande homem” está realmente grande... eu acredito que ele engordou uns vinte e cinco quilos. A roupa impecável foi trocada por calças jeans surradas, camisas pólos listadas e tênis (às vezes sem cadarço). Sua elegância e bons modos foram esquecidos, dando o lugar para um rosto carrancudo e sem qualquer sinal de simpatia... Fiquei na dúvida: será que este não é o “grande homem” verdadeiro e aquele outro era apenas uma máscara alimentada pelos meus ideais? Não sei a reposta... só espero que ele seja feliz...
Escrito por Medusa às 22h22
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Em minha humilde conclusão, está comprovado: existem pessoas que odeiam a felicidade dos outros. Comento isso – quer dizer – AFIRMO isso depois de avaliar alguns casos que aconteceram comigo, mais precisamente um evento no trânsito: Do meu trabalho a faculdade, o trajeto é de, mais ou menos, trinta minutos. Neste percurso – dentro do meu carro – eu fecho as janelas e me transporto para um mundo paralelo, aonde nada de ruim acontece... Existem somente duas coisas essenciais: eu e minhas músicas prediletas. Devido a isso, possuir um som no carro sempre foi mais importante – para mim - que as quatro rodas... Escolho os cds antes de ligar o motor e os coloco no banco do passageiro. Vejo como estou no momento: introvertido, extravagante, melancólico... e faço meu repertório. Ligo o carro e o ar condicionado e sigo em frente. A primeira música inicia e eu, invariavelmente, começo a cantar alto, bem alto (agora você entendeu porque eu fecho as janelas?) e esqueço tudo... Problemas no trabalho? Não existem mais...; Contas a pagar??? Que contas?; Engarrafamento? Nenhum... somente um lindo e bucólico campo, com suaves e radiantes borboletas multi-coloridas, que planam no ar, como se fossem seres magníficos providos de energia cósmica e celestial (meigo, não?). Retirando a fantasia, a verdade se revela: é meu tempo para desligar. Esqueço de tudo e de todos e sou só eu e o momento, nada mais. Todo mundo deveria fazer isso. Precisamos esquecer e agir como nós mesmos, sem amarras, nem máscaras. Ao invés de gritar e ficar louco no trânsito – como todos fazem em engarrafamentos - resolvi que seria este o momento perfeito para relaxar e realmente, não pensar em nada... absolutamente nada... e sabem porque decidi que seria este o momento? Uma vez estava atrasado para uma aula de Spinning na academia. Havia prometido diversas vezes que iria começar – como todo obeso que irá iniciar a dieta na segunda – e estava completamente louco dentro do carro, pois a aula começaria em 20 minutos... As janelas estavam abertas e comecei a tirar o sapato, meia e a tirar a roupa da academia da bolsa... Quando parei em um sinal vermelho, tirei a camisa e, para tirar a calça, levantei o quadril até o volante e abaixei tudo... a cueca veio junto... fiquei sem nada e comecei a colocar a camiseta. Quando o sinal abriu, olhei para o lado. Uma grande surpresa: percebi que havia parado ao lado de um ponto de ônibus lotado – hora do rush – e todos estavam me olhando. A expressão de uma senhora foi humilhante... Creio que foi um bom motivo para não me estressar mais no trânsito... Depois desta explanação, sobre o evento que comentei no início, foi durante meu trajeto para a faculdade. Lá estava eu, no meio de todos os carros parados – cantando como sempre – quando olhei para o carro ao lado e notei que uma mulher não tirava o olho de mim. Imaginem aquele tipo feminino, totalmente maquiada, parecendo um pinheiro de natal de tantos enfeites, com uma expressão de “sim, não sei o que é sexo há anos”, olhando com aquele ar totalmente de desprezo, fazendo você parecer o mais loco e ridículo ser humano que existe só porque está feliz cantando uma música? Resolvi não dar atenção e continuei em meu momento de alegria suprema. Andamos alguns metros e ela parou novamente ao meu lado, com aquela BMW cheia de pose. Olhou para mim e fez um gesto, balançando a cabeça, como se quisesse dizer: “Coitado, não percebe como é ridículo...” e deu risada... Aquilo me deixou irritado e meu momento sumiu... Realmente, comecei a me sentir um bobo, idiota por fazer aquilo... ela arrancou com sua BMW e eu continuei parado..., com vergonha de mim mesmo... A madrasta da Branca de Neve parou na frente, no sinal vermelho... Levantei a cabeça, respirei fundo, e segui adiante... Troquei a música – It’s Rain Man estava no cd – aumentei o volume e parei ao lado da megera, cantando alto e fazendo uma performace digna de show de calouros... Ela virou-se rapidamente e me olhou com espanto. Eu sabia que o sinal iria abrir, então desliguei o som, abaixei suavemente o vidro – ela estava com as janelas abertas – e falei: “Sim, sou feliz e faço sexo... e você que é feia?”. Fechei a janela e continuei. Olhei pelo retrovisor e percebi que ela estava parada, com o sinal aberto... As buzinas começaram e eu continuei, com minha alegria mais radiante do que nunca... Ai ai, a felicidade é gloriosa... Ah, sim, eu consegui fazer a aula de Spinning...
Escrito por Medusa às 13h35
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Nada como a primeira vez...
Depois de cinco anos de formado – e ter passado dois em uma pós exaustiva – voltei à faculdade. Como aqueles impulsos que vem do nada, fiz a inscrição para o vestibular. Expectativas? Algumas, mas não passaram nem perto das emoções que eu senti na primeira vez que sentei em uma cadeira para fazer a prova para entrar na faculdade. Recordo que não dormi direito e, antes de deitar, conferi dezenas de vezes meu cartão de entrada, meu material e – pasmem – uma sacolinha de papel com um lanche. Tinha um pavor terrível de ficar com fome e não conseguir fazer a prova direito. O nervosismo não me deixou dormir cedo e, quanto mais passava as horas, mais nervoso eu ficava, pensando que não conseguiria resolver as questões de matemática porque estava com muito sono e os números iriam se embaralhar na minha frente. Isso sem comentar no terror que meu cérebro fez em relação às questões de física e química que, em minhas convicções, eu iria misturar tudo com certeza... Despertador? Totalmente dispensável neste dia. Uma hora antes de tocar, meus olhos já estavam abertos e estalados. Eu olhava os números das horas e tentava resolver mentalmente uma fórmula de bhaskara com eles. Aliás, eu me lembro dela até hoje: x é igual a menos b, mais e menos raiz quadrada de b ao quadrado menos 4 ac, sobre 2 a. Viu? E nem precisei procurar no Google. Para que eu a usei? Hummm... para nada... e, pelo o que eu me lembro, nem no vestibular. E, para decorá-la, apelei para uma simpatia que mandava grudar um cartaz com a fórmula na cabeceira da minha cama. Li que, fazendo isso, o que estava escrito “entrava” na sua cabeça durante o sono... e quando nós vamos fazer prova, acreditamos até em Unicórnio - se ele ajudar a lembrar de algo - fiz isso dezenas de vezes. “Os portões serão fechados as 8:00h em ponto, quem se atrasar não poderá entrar...” Dizia o cartão de matrícula. Eram 7:15h e eu já estava lá. Sentei perto da entrada e comecei a ler uma revistinha em quadrinhos. “Nunca leiam nada sobre o que foi estudado no dia da prova”: conselho do meu professor de cursinho. Segui a risca... Mas vi dezenas de pessoas lendo sem parar várias apostilas. “Bobos”, pensei comigo, “o que adianta ler agora?”. Claro, eu precisava fingir confiança e pensar que estava tudo bem. E como o ser humano faz isso? Imaginando que é melhor que os outros... Olhava para todo mundo e pensava: “será que esse vai estudar comigo?” e já sonhava como seria nossa amizade... “esse vai ser meu amigo, porque parece legal... aquela ali não, tem jeito de falsa...”; “adorei o tênis dele, esse tem estilo para ser meu colega de turma...” Em pouco tempo, elegi todos que eu queria na minha sala (não acertei nenhum). Meu relógio despertou: hora de entrar na sala. Sentei calmamente e escutei as instruções da instrutora. Minha barriga começou a doer... tomei um gole d’água. Não adiantou... Meu estômago ardia, como se tivessem enfiado uma faca. Lutei bravamente e fiz a toda a prova, sem precisar “chutar” nenhuma questão. Não olhei nem para o lado, somente respirei devagar e tentava não pensar na dor. Assim que eu entreguei o cartão resposta, a dor passou, meus dedos pararam de formigar, meus olhos pararam de arder e minhas pernas amoleceram... Um forte cansaço e uma grande dor de cabeça se tomaram conta do meu corpo. Sai cambaleando e, ao chegar do lado de fora, desmaiei. Lembro de acordar com várias pessoas em volta de mim, me olhando... Imaginem como foram as piadas nos primeiros anos da faculdade??? -*- X é igual a menos b, mais e menos raiz quadrada de b ao quadrado menos 4 ac, sobre 2 a... e não é que a simpatia funcionou???
Agora é do Google
Escrito por Medusa às 14h31
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Hummm... vou voltar a escrever... deu uma vontade louca...
Escrito por Medusa às 21h38
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"Ele merecia..."
Resolvi dar um tempo... não sei se seria a frase certa, mas é a mais usada para este tipo de situação. Fiquei longe da internet... só consultava jornais, revistas e últimas notícias... MSN? Nem abria (já não sou muito adepto mesmo)... Queria um tempo para realmente provar um fato que todos falam: quando você quer alguma coisa e se dedica, pode ter certeza que você consegue... Há alguns anos – mais precisamente dez anos – eu queria uma seção no meu local de trabalho. Não necessariamente pelo salário maior (o que é bom), mas nunca foi o meu objetivo principal. Queria provar que eu poderia... e explico: logo que eu entrei, alguns meses depois, algumas pessoas que entraram comigo estavam na sala de café. Eu estava na sala ao lado, vendo alguns papéis – e ninguém sabia que eu estava ali. De repente, começaram a falar sobre mim e escutei a grande frase: “Ele conseguir algo aqui dentro? Nunca... é mais fácil a gente se tornar padre...”. A frase foi seguida de muitas risadas... Hoje, o meu posto é o maior de todos eles... Espero que eles já tenham pelo menos lido a bíblia para iniciar a próxima profissão... Foi muito difícil... vários obstáculos... Centenas de trabalhos realizados com precisão cirúrgica para ninguém encontrar nem um mínimo erro. Devido a esta dedicação, hoje eu consigo ver quando um quadrado está torto em uma folha, com diferença de um milímetro... E isso é resultado de esforço e estudo: Quando eu entrei, estava começando o cursinho para a Faculdade... passou o cursinho, a graduação, a pós graduação, vários cursos técnicos, dezenas de mini-cursos e, com certeza, mais de uma centena de palestras... Fui construindo minha carreira ponto a ponto, com alguns erros e demonstrações de emoções explosivas. A imaturidade é o fator crucial para se construir uma carreira. Eu só comecei a planejar as coisas como eu queria, quando eu amadureci e consegui entender que os fatores não podem acontecer como eu “acho” que devem e sim conforme todos os “achos” que existem ao nosso redor. É difícil compreender que nós não somos o umbigo do mundo?!? Nossa... nem queira saber o quanto. Creio que é uma das maiores lições que aprendemos em vida. Hoje, após minha promoção, recebi um email de uma amiga me dando parabéns... Ela presenciou vários momentos e tristezas minhas em relação ao meu trabalho e ela terminou com a velha frase: O mundo dá voltas... Mas, precisamos ter em mente que o mundo dá voltas sim... e se você não fizer nada para mudar seu curso ele continuará somente nesta ação: dando voltas e voltando ao mesmo lugar... Estou feliz e realizado. Já recebi dezenas de olhares invejosos e ouvi alguns comentários maldosos... É muito ruim você estar com uma felicidade explosiva por um objetivo alcançado e não poder gritar aos quatros ventos que você conseguiu e todos se contagiarem com sua alegria... Infelizmente isto é impossível. Aliás, estou escondidinho na minha sala, quietinho... esperando a poeira abaixar. Mas, muito feliz mesmo – não me canso de dizer e escrever isto... *** Enquanto minha promoção ainda estava incerta, veio um assessor e me entregou o documento que comprovava meu novo cargo. Quando vi aquele papel, meus olhos se encheram d’água imediatamente... Esperei dez anos... dez longos anos de trabalho, crescimento e dedicação por aquela assinatura... Um homem – que estava somente visitando o local – comentou, “Nossa, o que existe neste papel para gerar essa tamanha alegria?”... e o Assessor respondeu: “Algo que ele merecia...” Sim, vale a pena...
Escrito por Medusa às 20h58
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A vida é uma arte...
Às vezes acontecem alguns fatos em nossa vida extremamente relevantes para nossa construção pessoal... A paixão da minha vida sempre trabalhou com enfermagem e fui acompanhar a visita para um possível cliente: um senhor de 72 anos que estava muito doente devido a várias complicações em sua saúde. Chegamos em sua casa e me encantei com a sua mulher: uma senhora de 68 anos que parece ter 40... Impressionante a vitalidade e a disposição daquela mulher... A comparação com seu marido na cama era inevitável, até devido aos poucos anos de diferença de idade. Ela, muito ativa, ainda joga vôlei e mantém uma alimentação saudável; ele, deitado na cama, mal conseguia respirar ou sentar em uma cadeira... Analisando a situação, não conseguia parar de pensar em alguns pontos que já aconteceram comigo. Parei de fumar a alguns anos, mantenho a minha alimentação saudável, faço academia e não bebo (uma ou outra taça de vinho de vez em quando não conta), tudo isso por que sempre desejei chegar na minha velhice como àquela senhora... Conversei algum tempo com ela e, a cada momento, me encantava cada vez mais: pintora e formada em psicologia, ela esbanjava elegância e sabedoria. Um ser humano raro de se encontrar atualmente... Quando conversamos sobre seu marido, ela – naturalmente – me disse algo que achei de uma profundidade imensa: “eu já aceitei que ele vai partir... infelizmente não posso fazer nada para mudar. Se me pedissem para fazer qualquer coisa hoje para ele melhorar, eu faria de todo coração... mas, não é possível... é triste, sim... realmente... mas, devemos aceitar a vida como ela é”. Essas palavras formaram uma das mais lindas declarações de amor que eu já escutei... Fiquei comovido pela grande sinceridade e dedicação que emanavam delas... Fui em direção ao quarto e auxiliei em alguns procedimentos com o senhor. Decidiram leva-lo para o hospital para alguns exames e fomos vesti-lo... Ele estava fraco e não conseguia nem falar, mas o seu olhar era brilhante e forte. Suas filhas chegaram e ajudaram na resolução do problema e decidiram leva-lo no carro de uma delas. O acomodamos em uma cadeira e – com alguma força – levamos até o veículo. Pronto! Nossa parte estava concluída. Agora, teríamos que aguarda-lo voltar do hospital para iniciar os cuidados em sua casa. Saindo, a senhora olhou para mim e disse: “Volte... vamos tomar um café e conversar sobre arte...” Adorei o convite, ainda mais feito por uma mulher que – sem conhece-la – já a admirava pelo o que ela representava para mim... Agora, toda vez que alguém perguntar porque eu me alimento somente com comidas integrais – já que são tão ruins -, não como muito doce – já que é a oitava maravilha do mundo - e muito menos bebo até cair ou fumo até não agüentar mais, vou responder apenas com um sorriso... e vou me lembrar da senhora, imaginado ela - com 68 anos - fazendo um grande saque em uma partida de vôlei... **** Infelizmente, no final da tarde, chegou uma notícia triste: o senhor, após chegar ao hospital, faleceu... Como disse a senhora: “temos que aceitar a vida como ela é...” Mas, sei o quanto essa frase é difícil de entender... Mesmo assim, quero passar um dia para tomar uma xícara de café... não pelo café – evidentemente - mas pela grande pessoa que conheci... Uma lição que não esquecerei...
Escrito por Medusa às 19h07
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A força que vem da planta...
Eu tenho uma planta na minha sala onde eu trabalho... Ela sempre me impressionou. Já passou por diversas adversidades... Alguns anos atrás, quando eu estava viajando a trabalho – fiquei um mês fora – minha ex chefe colocou ela na parte externa da sala e nunca molhou. Quando eu retornei, tive uma grande decepção profissional – aquelas que todos nós já passamos – e fui recolher minhas coisas da sala. Fui pegar minha planta e quando a vi, estava extremamente seca e tinha apenas uma folha verde, com uma raiz intacta para fora... O resto – ela estava linda quando eu fui viajar – se perdeu... secou, virou nada. Essa planta virou meu símbolo de renascimento. Cuidei dela como cuidei de mim para superar a decepção. Lembro que um dia até chorei junto com ela – tudo bem, se alguém visse me internaria em um hospício. Quando começou a nascer uma nova folha, para mim foi um sucesso... Uma alegria enorme me consumiu... até pulei de felicidade por meu símbolo contra a decepção não morrer. Troquei de vaso – comprei um lindo -, transplantei e coloquei muita terra com adubo. E passei a conversar com ela, principalmente quando era o dia de molha-la... Contava tudo – fechado dentro da sala, claro -, enquanto derramava água. Ela começou a crescer de novo, mais e mais folhas surgiram e ela voltou a ser grande, verde e frondosa novamente. A coloquei em um lugar especial na sala, aonde todos que entrassem pudessem vê-la... Todos comentavam como ela estava linda e maravilhosa. Confesso que coloquei um pouco de pimenta vermelha atrás dela para evitar o olho gordo de tanto que algumas mulheres falavam: “nossa, que planta linda... as minhas todas secam...”; “Quero uma dessa pra mim hein? Posso leva-la como presente?”. Mas, mesmo assim, ela continuou lá, para todos verem como eu havia superado a minha decepção e estava novamente feliz com toda aquela força que emanava daquelas folhas verdes... Era início de dezembro e ela estava verde e maravilhosa... cheias de galhos e folhas. De repente – não sabia o motivo – ela começou a murchar... Entrei em desespero! As folhas começaram a amarelar... Os galhos começaram a torcer e entrei em pânico. Ela não podia morrer, de maneira nenhuma. Toda vez que eu precisava de forças para superar algo, principalmente alguma “rasteira” que levava no trabalho, ela estava lá... pronta pra me mostrar que podemos vencer e “nascer” de novo. Mas, ela estava morrendo... coloquei adubo, conversei mais com ela e nada... Não tive opção, a levei correndo para uma floricultura – um hospital de plantas – e conversei com uma senhora que lembrava minha avó. Disse que não poderia perde-la... que ela era muito importante pra mim. A senhora riu e foi até o balcão... pediu para colocar a planta em cima e, de dentro de uma gaveta, tirou uma tesoura. No mesmo instante, ela pegou um galho e cortou bem perto da terra, o que me fez entrar em pânico: “O que a senhora está fazendo???”; “As vezes, para nascer de novo, nós precisamos morrer... não se preocupe, ela vai voltar mais linda do que já estava.” *** Algum tempo depois, daqueles pequenos tocos que sobraram dos galhos antigos, nasceram novos brotos... Em pouco tempo, minha planta estava mais linda e frondosa do que era. As folhas eram maiores e mais brilhantes... fiquei encantado e nunca mais esqueci o que aquela senhora me disse... Passo lá sempre para comprar flores e cumprimenta-la... Agora, toda vez que minha planta está murchando – perto do final do ano - sei que ela virá com mais força ainda... Sim, nossa maior força vem da dor... e é dela que tiramos os adubos necessários para voltar a nascer mais fortes e belos do que antes...
Foto: Arqui verde
Escrito por Medusa às 14h27
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Tudo por amor...
A melhor escola é a vida... e esta escola possui alguns livros com histórias inacreditáveis... Uma amiga minha estava com o casamento marcado. Alianças nos dedos e juramentos de amor sem fim. Quando soubre do noivado, fiquei muito feliz. Ela sempre foi o que consideramos "uma pessoa extrovertida e que aproveita muito a vida" - traduzindo: ela saia com muitos homens e bebia até não aguentar mais. Acreditei que desta vez ela teria um final feliz. Ontem, meu celular tocou e era ela, com a frase típica que antecede uma bomba: "você não sabe o que aconteceu...". Respondi que realmente não sabia, foi quando ela me relatou o fato: em uma bela noite de verão, enquanto ela secava os sedosos cabelos depois de um relaxante banho, seu celular tocou... seu perfeito noivo - um bem sucedido advogado, com grande porte masculino e elegância francesa - ligava dizendo que não iria vê-la naquela noite devido a discussões sobre um caso jurídico de uma firma que deveria ter com um outro colega advogado. Ela disse - com voz manhosa, segurando o celular com o ombro por estar secando o cabelo - que era realmente uma pena não poder dar um beijo apaixonado nele e que então dormiria mais cedo. Ele se despediu e ela também, com juras de amor eterno... Só que, como eu disse, a vida é uma escola... e as vezes, ela ensina comédia, juntamente com tragédia... ela continuou com o celular no ombro - não podia soltar a franja já que estava escovando o cabelo - e ela escutou algo no celular: "Pronto, me livrei do empecilho...". Na hora, ela parou estática: seu noivo esqueceu de desligar o celular e como ela ficou esperando ele desligar, a ligação continuou: "Cara, é hoje...". Uma segunda voz masculina deu uma risada: "Ha ha ha... hoje eu tiro o atraso". Um barulho de moto ao fundo. Ela - ainda em transe - presumiu que estavam no trânsito, dentro do carro. "Cara, esse puteiro é ótimo... nem eu sabia que havia uma zona ali... quem diria que nessa rua - disse o nome - teria um inferninho tão bom como esse?"; "Pois é hoje que lavo a égua...". Risadas... Minha amiga deixou a franja cair e lentamente pegou o celular e desligou... Pensou por alguns segundos, ainda olhando para frente e inerte. Na hora veio na cabeça todo o dinheiro que ela deu para seu noivo para ajudá-lo a construir sua carreira... E ele gastando em inferninhos... Sem esboçar nenhuma reação, ela levantou e abriu o armário... de dentro dele, ela tirou uma meia calça preta, uma blusa extremamente decotada e vermelha - a que ele odiava -, uma saia preta e um salto de dar inveja em qualquer Drag Queen. Se vestiu e sentou-se para fazer uma maquiagem extremamente carregada. Soltou os cabelos - já estavam prontos mesmo - e chamou um táxi. Ao entrar dentro do veículo, o taxista deu uma olhada para ela de cima até o seu grande salto - minha amiga é uma mulher muito bonita - ela perguntou: "O Sr. conhece o puteiro que fica na rua...?". Ele a olhou com aquele olhar malicioso e disse: "Sim, eu conheço."; "Então, pode seguir até lá..." Chegando na casa, ela pediu para falar com o gerente. Ela “comprou” sua entrada e também pediu para ser tratada como uma “menina” da casa. Entrou discretamente e foi para o bar, se escondendo atrás de uma pilastra. De repente, lá estava ele, passando a mão em uma garota no bar. Seu sangue ferveu, mas ela manteve a classe. Afinal, era uma prostituta agora. Ela virou-se e ficou de costas para o noivo. Um homem veio falar com ela e ela começou a acaricia-lo, indo em direção ao seu alvo. De repente, ela virou-se novamente e ficou de frente para seu noivo. Quando ele a viu, ela fez uma cara de espanto total. Ele ficou branco e com a boca aberta. Imediatamente se levantou e foi atrás dela, a agarrando pelo braço: “O que você está fazendo aqui?”, falou aos berros. Ela, fingindo espanto e choro ao mesmo tempo, disse: “Amor... eu juro que eu não queria, mas eu não conseguia parar... você precisava de dinheiro e eu queria ajuda-lo... por favor, eu te amo...”
*** Sim, ela terminou o noivado... O noivo teve que ser colocado para fora da casa pelos seguranças, pois queria quebrar todo o lugar. E ela... bem, ela ainda fez questão que todos da firma onde ele trabalha soubessem que a namoradinha perfeita fazia programas para ajudar o noivo a pagar a faculdade... Pobre garota... o que teve que fazer por amor...
Escrito por Medusa às 08h04
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O Assalto...
As ironias da vida... Fui levar meu carro para lavar em um supermercado. Chegando lá, uma amiga me ligou e começou a contar sobre o trágico evento que aconteceu na sua vida na noite anterior. Ela estava em um bar com amigos, de repente escutou um tiro do lado de fora. Todo mundo foi para os fundos do bar, aos berros. Ela e uma amiga se agacharam e foram para debaixo da mesa. Homens entraram dentro do bar anunciando o assalto. Levaram o que tinha no caixa, juntamente com dinheiro e pertences dos clientes. O clima de terrorismo reinou, com direito a choro das mulheres e ordens dos assaltantes pedindo a colaboração de todos... naquele tom e educação que todos nós conhecemos. Ainda bem, ninguém se feriu e eles foram embora com tudo o que queriam. Minha amiga terminou de contar os detalhes e se despediu. Deixei o carro no Lava-car e fui tomar um café na padaria ao lado...
O café estava ótimo e o cheiro dos salgados fritos estava me deixando maluco. Por alguns segundos eu me vi pedindo doze coxinhas e vinte risoles de queijo... Iria comer todos de uma vez. Para resistir a tentação, terminei rapidamente meu café e fui para a fila do caixa pagar... Singelo e imaginando lindos pirilampos pairando pelo ar, eu estava absorto em meus pensamentos, quando de repente entram três homens armados na padaria gritando: "Muito bem pessoal, a gente só vai levar o dinheiro do caixa e algumas coisinhas de vocês. Não façam nada e não tentem nada que não estamos de brincadeira". Meu corpo instantaneamente gelou e minha espinha endureceu. Não conseguia me mover. Quando vi aqueles revólveres, os dedos das minhas mãos ficaram retos e começaram a formigar... Não conseguia nem respirar direito. Começaram a passar em minha mente imagens de pessoas sendo baleadas - sem nenhum motivo - em casos semelhantes.
Levaram todo o dinheiro dos dois caixas, alguns relógios e celulares das pessoas que estavam na fila. Por sorte, passaram por mim. Quando o homem que estava pegando o dinheiro do caixa falou: "Do que você está rindo palhaço?". Nem virei minha cabeça para ver o que era... provavelmente estava falando com alguém que estava mais atrás de mim. Mas, o que o assaltante fez em seguida me deixou petrificado. Ele gritou: "Quer um motivo para rir? Então vou atirar no bonitão aqui pra você dar risada..." E apontou a arma para mim. Não sei explicar o que eu senti. Já, há muitos anos, senti a mesma sensação quando estava no ponto de ônibus e um cara levou meu walkman... mas, desta vez foi pior ainda. Para minha sorte, o assaltante virou-se e continuou a pegar o dinheiro. Fiquei mais petrificado ainda... Foram alguns minutos que pareciam horas...
Depois que pegaram tudo o que queriam, um dos homens pegou uma sacola e pediu para uma das atendentes: "Enche de pão de queijo minha linda...". Provavelmente assaltar dá fome... Saíram dizendo: "Não queremos que ninguém saia daqui até a gente se mandar, senão já sabem: é bala na cabeça." Continuei uma estátua. Depois que eles saíram, o silêncio continuou... uma das meninas do caixa começou a falar: "Aperta o botão José." Provavelmente o alarme para a polícia. Mas, com certeza não adiantaria nada. Até os guardas chegarem, eles estariam longe... Saí com as pernas moles... Tudo bem, estava vivo e ainda não paguei o café (deveria ter comido todos os salgados para não pagar também...). Adoro aventuras urbanas...
***
Liguei para minha amiga e disse: "Pode ganhar na mega-sena amanhã... Depois me ligue e me conte, para acontecer o mesmo comigo..."
Pão de queijo... O preferido dos Assaltantes... Foto: Euro Africa
Escrito por Medusa às 23h14
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